Objetivo é convencer empresas produtoras que navios são mais atrativos que caminhões Congestionamento na Alemoa, em Santos: um mar de clientes à vista.
Os números mostram que o transporte de contêineres por cabotagem teve um sólido crescimento na última década, mas os armadores querem mais. O uso de navios deve continuar subindo acima da economia porque pretende-se roubar, aos poucos, clientes do modal rodoviário.
Os dados mais recentes do Ministério dos Transportes mostram que 59% das cargas são transportadas, no Brasil, pelo modal rodoviário, 24% pelo ferroviário, 13% pelo aquaviário, 3,7% pelo dutoviário e 0,3% pelo aeroviário.
O diretor comercial da Login, Fábio Siccherino, crê em um equilíbrio maior no futuro. A firma aumentou em 26% ao ano, entre 2007 e 2010, o volume movimentado. Para ele, o desempenho será parecido em 2011. Enxergamos isso porque compilamos informações do mercado e é isso que o mercado nos mostra, declarou.
Para ele, a cabotagem explora apenas 23% de seu potencial. Ele explica que os 77% restantes são cargas movimentadas por distâncias maiores que 1.500 quilômetros para regiões a menos de 200 quilômetros da costa, onde fica 80% da população brasileira economicamente ativa. Ou seja: os donos destas cargas são clientes naturais da cabotagem.
Com toda essa demanda a conquistar, não intimida a chegada de uma nova concorrente ao segmento: a Maestra Logística, ligada ao grupo Triunfo. O primeiro navio operado pela empresa, o Maestra Atlântico, escalou ontem em Santos (foto na página C-1). Outros três serão lançados este ano e terão escalas regulares no Porto.
Esse mercado ainda tem capacidade para crescer muito. Tem espaço para concorrência. Mas nosso maior concorrente, na verdade, continuará sendo o rodoviário, disse Siccherino. Segundo ele, a Log-in encomendou cinco navios até 2013. O primeiro será entregue ainda neste mês e o outro, no segundo semestre.
Outra operadora de cabotagem, a Mercosul Line, tem previsão de 40% nos volumes, que foram de 73 mil TEUs no ano passado. O presidente da companhia, Roberto Rodrigues, acredita que o mercado começa a entender que a cabotagem veio para ficar. Tem muita empresa que ainda não ganhou confiança para mandar cargas pelo mar. Elas ficam mais confortáveis quando percebem que o navio está sempre lá e que os custos com segurança são menores.
Também tem previsão otimista para este ano a Aliança Navegação, ligada ao grupo alemão Hamburg Süd. A expectativa da empresa para este ano é de ampliar em 10% o volume movimentado.
Segundo o gerente de cabotagem da firma, Gustavo Costa, um dos grandes desafios é compatibilizar os modais, especialmente com a ferrovia, criando uma rota sem rodovias. A empresa faz isso no Porto de Santos, no sentido importação, descarregando no Terminal de Contêineres (Tecon) e mandando os contêineres até um terminal em Jundiaí, pertencente à empresa Fassina.
Segundo ele, nesta unidade os contêineres são desovados e as cargas, distribuídas.