Tendência positiva é marcada por maior volume de carga e diminuição de capacidade ociosa.
A indústria global de contêineres retornou ao breakeven, com a demanda mundial mantendo-se em equilíbrio com a expansão da frota global.
Novos dados de analistas marítimos indicam uma tendência positiva em todo o setor, à medida que os transportadores marítimos investem em novas pedidos de embarcações e a capacidade ociosa é absorvida.
A recuperação do trade mundial conteinerizado é apontada nos balanços divulgados pelos armadores no primeiro semestre do ano, apresentando fortes resultados em comparação à crise do ano passado. A A.P. Möller-Maersk, detentora da Maersk Line (maior linha de contêiner do mundo) registrou lucros de US$ 2,52 bilhões durante o primeiro semestre de 2010 e elevou a perspectiva de ganho pela segunda vez em dois meses, impulsionada por maiores taxas de frete e volume de movimentações.
A Hapag-Lloyd, que buscou o apoio governamental alemão no ano passado por conta de perdas financeiras, registrou lucro de 226 milhões de euros no segundo trimestre, em comparação com a perda de 193 milhões de euros no mesmo perãodo do ano passado. A CSAV, que também passou por situação crítica em 2009, transformou perdas de US$ 402 milhões no primeiro semestre do ano passado em um lucro de US$ 36,8 milhões de janeiro a junho deste ano.
Previsões
A Clarkson Research espera agora que o crescimento do comércio conteinerizado global supere o aumento da oferta de porta-contêineres em 2010, com a demanda sofrendo um incremento de 10,9% e a frota global sujeita a alta de 8,4%.
A situação se refletiu no índice da Clarkson para suprimento e demanda, que mantém uma estimativa de 92,1 pontos para este ano, em comparação com os 90 pontos do ano passado. Em 2005, o mesmo índice atingiu 113,5 pontos e manteve-se elevado para os três anos seguintes, indicando forte demanda, antes de cair rapidamente com a queda dos volumes globais. A situação se agravou com a expansão da capacidade da frota, devido à grande carteira de encomendas.
A consultoria divulgou previsão de 96 pontos para o índice em 2011, advertindo que a projeção depende do equilíbrio entre as encomendas globais e a demanda nos serviços dos armadores.
Os números mais recentes da consultoria Alphaliner mostram que a frota global de porta-contêineres ociosos também está se estabilizando. O montante atualmente está avaliado em apenas 236 mil Teus (unidade equivalente a um contêiner de 20 pés), correspondendo a 1,7% da capacidade mundial. No ano passado, cerca de 12% da frota estava inativa. Desde então, 1,3 milhão de Teus de capacidade foram trazidos de volta ao serviço, ao passo que os armadores voltaram a expandir a rede de serviços, depois de retirar muitos loops durante a crise de 2009.