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Clippings - 08/06/20

Armadores negociam com Anvisa a flexibilização dos protocolos de saúde

Arquivo

Os armadores vêm negociando com autoridades e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) a possibilidade de flexibilizar os protocolos de saúde e segurança dos navios em quarentena. O argumento principal é que falta equilíbrio entre as orientações necessárias à manutenção da saúde pública e os aspectos que são importantes economicamente. De acordo com os armadores, tanto a Anvisa quanto os governos têm demonstrado disponibilidade em rever aspectos dos protocolas, havendo possibilidade de que ocorram as mudanças já nos próximos dias.

A Aliança Navegação e Logística está desde a última semana com o navio Pedro Álvares Cabral parado, cumprindo quarentena no Porto de Santos por determinação da Anvisa. Na testagem rápida realizada pela empresa na tripulação, foi detectado um tripulante com sintomas da Covid-19. O diretor executivo da Aliança, Marcus Voloch afirmou que buscou argumentar com a agência que a tripulação estava em segurança e que poderia adotar o procedimento de descarregamento, porém sem sucesso.Publicidade

“Efetivamente para operar um navio não precisa da tripulação. E a gente disse (a Anvisa) que tinha tripulantes em terra, que iam subir para supervisionar a operação. O próprio Terminal estava de acordo com nossa proposta, mas a Anvisa disse que não é assim que funciona”, lamentou Voloch durante o Webinar “O Futuro do Transporte Marítimo”, realizado pela Feira Logistique, que ocorreu nesta sexta-feira (05). Apenas depois de seis dias o navio pode descarregar a carga e entregá-la ao cliente com atraso. Na tarde dessa sexta-feira a embarcação desatracou e vai ficar na Barra de Santos aguardando para seguir viagem.

Diante dessas dificuldades, Voloch afirmou que está dialogando com a Anvisa e demais autoridades envolvidas, por intermédio da Associação Brasileira dos Armadores de Cabotagem (Abac), para que haja mais “razoabilidade” nos protocolos exigidos. Ele argumentou que a paralisação total não ocorre, por exemplo, com uma fábrica automotiva. Segundo ele, caso um único funcionário da fábrica, em um universo de quatro mil, apresentar sintomas, a produção ainda continua. Porém, o mesmo não ocorre com um navio.

Outro aspecto que ele considera “exagero” da norma é que ocorram dois exames médicos diários em toda a tripulação do navio. Para ele, esse procedimento é inviável, tendo em vista que em normalmente uma embarcação tem em média mais de 400 tripulantes. Com a paralisação do Pedro Álvares Cabral, a Aliança precisou reativar outra embarcação para não provocar ruptura nos negócios.

Voloch afirmou, no entanto, que a empresa está tendo uma boa receptividade por parte da Anvisa e que um consenso sobre a possibilidade de revisão da norma de saúde pode acontecer nos próximos dias. “Ontem a noite mesmo tivemos várias correspondências com a Anvisa, por meio da Abac, na tentativa de estabelecer um protocolo que seja aceitável do ponto de vista da economia e da saúde humana”, frisou.

A Login-In Logística teve dois navios paralisados por determinação da Anvisa. Um deles, o Login Jatobá, apresentou 16 tripulantes com confirmação da doença. O diretor comercial da empresa, Maurício Alvarenga, afirmou que mesmo após cumprir a quarentena, a agência solicitou novos testes em todos os tripulantes, e que alguns ainda testaram positivos para a doença, fazendo com houvesse a necessidade da troca da tripulação. Segundo ele, como qualquer outra doença, o comportamento do vírus é diferente em cada pessoa.

Alvarenga disse que todo esse cenário deixa como legado, tanto para as autoridades, quanto para os armadores, o aprendizado sobre uma doença ainda desconhecida em diversos aspectos. Ele defende que os protocolos precisam diferenciar a quarentena necessária para a tripulação e para o navio. “Não faz sentido juntar os dois como se fosse a mesma coisa”, criticou. Segundo ele, o Login Jatobá já estava atracado, mas mesmo assim não pode descarregar porque todo o navio precisou ficar em quarentena. Porém, ele também destacou que as negociações junto à Anvisa estão caminhando em direção a um acordo.

O diretor comercial da Maersk, Gustavo Paschoa também destacou que a Anvisa tem demonstrado abertura ao diálogo, não só por meio das associações das categorias, mas também no contato direto com as empresas. Ele afirmou que esse diálogo é positivo porque permite que as empresas tragam para as negociações o que está acontecendo nos outros países em termos de protocolos de saúde e segurança.

Ele afirmou ainda que o diálogo seja importante visto que o coronavírus é novo para todo o mundo e que ninguém tem a resposta correta sobre como lidar com seus efeitos em determinadas situações. “Nem mesmo a Anvisa sabe muito bem quais as consequências da doença para saúde”, disse. Segundo ele, a Maersk durante a pandemia tem dado prioridade a três pilares: primeiro as pessoas, os trabalhadores, depois os clientes e por fim os negócios da empresa. No entanto, ao mesmo tempo a empresa vem buscando manter os negócios saudáveis, até mesmo para garantir os empregos e manter a economia girando.

Fonte: Revista Portos e Navios