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Clippings - 18/08/23

Associação sul-coreana abre escritório em SP na próxima semana

A Associação de Equipamentos Navais da Coreia do Sul (Komea) inaugura, na próxima segunda-feira (21), em São Paulo (SP), o escritório da filial Komea Brasil. A Komea é a principal associação de estaleiros e fornecedores de máquinas e equipamentos navais e de petróleo e gás sul-coreanos. A entidade já está presente estruturalmente nos Estados Unidos, China, Cingapura, Arábia Saudita, Grécia e Rússia.

O representante chefe da Komea Brasil, Yoon Ho Seo (Gustavo), disse que a Komea tem como missão aproveitar o know-how em tecnologia das empresas coreanas para criar parcerias e aumentar as relações comerciais com outros países, desenvolvendo o mercado e economia local. Há mais de 30 anos no Brasil, Seo considera o país com capacidade e recursos para atingir o objetivo de desenvolver as atividades ligadas ao setor marítimo. Ele acredita que, nesse sentido, a Komea pretende ajudar no intercâmbio tecnológico e comercial entre o Brasil e a Coreia do Sul.

Para a Komea, o mercado e o governo brasileiro estão se esforçando para recuperar o segmento marítimo, seja na construção naval, seja relacionado à energia. “Na construção naval, podemos observar muitas tratativas de estaleiros brasileiros em busca de crescimento e obtenção de projetos. Há muito trabalho a fazer e é preciso uma somatória e interesse mútuo de muitas partes para fortalecer este segmento”, comentou Seo em entrevista à Portos e Navios.

Confira abaixo a entrevista com o representante da Komea.

Portos e Navios: Quando a Komea inaugura seu escritório em São Paulo?

Yoon Ho Seo: Inauguraremos o escritório da filial Komea Brasil em São Paulo no dia 21 de agosto de 2023. Contaremos com a presença do Consulado Geral da Coréia do Sul em São Paulo, Komeri (Korea Marine Equipment Research Institute), Kotra (Korea Trade-Investment Promotion Agency), KR (Korean Register), alguns membros da Abimaq (Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos) e Sinaval (Sindicato Nacional da Indústria da Construção e Reparação Naval e Offshore), e outros convidados de empresas brasileiras.

PN: Qual a missão da Komea na Coreia e no mundo?

Yoon Ho Seo: A Komea é a principal associação de estaleiros e fornecedores de máquinas e equipamentos navais e de petróleo e gás da Coreia do Sul. Conta com a participação dos principais estaleiros do país, e está presente estruturalmente nos EUA, China, Singapura, Arábia Saudita, Grécia, Rússia, e agora no Brasil. A missão da Komea é aproveitar o know-how em tecnologia das empresas coreanas para criar parcerias e aumentar as relações comerciais com outros países, desenvolvendo o mercado e economia local.

PN: Quais as expectativas da Komea para o mercado naval brasileiro?

Yoon Ho Seo:
 Eu nasci na Coreia do Sul, mas moro no Brasil há quase 35 anos. Meu trabalho na indústria se iniciou no segmento de solda, e tive a oportunidade de conhecer diversos e variados setores: automobilístico, construção naval, óleo e gás, equipamentos pesados, equipamentos agrícolas, fundições e caldeirarias, estruturas metálicas, entre outros. O Brasil é um país rico em recursos e sempre teve potencial para brigar no topo do cenário mundial. Infelizmente, temos os conhecidos problemas estruturais e conjunturais, mas temos saídas, e sempre acreditei — e continuo acreditando — que um dia poderemos tornar o Brasil um país melhor em todos os aspectos. Tento somar minha educação e cultura coreana no ambiente em que vivo, por isso observo muitas oportunidades e potencial do Brasil. Não somente eu, mas muitos brasileiros pensam da mesma forma. E é neste sentido que a Komea enxerga e tem expectativas positivas do maior país da América do Sul.

O Brasil tem capacidade de ser autossuficiente, principalmente nesse segmento naval e de energia. É preciso investimento em educação e retenção de tecnologia, e a Coreia do Sul pode contribuir para isso. A ideia da Komea é ajudar no relacionamento de empresas brasileiras e coreanas, seja em formato de parcerias ou até joint-ventures, aumentando o intercâmbio de informações, tecnologia e volume de negócios. Estamos acompanhado o movimento político e econômico sobre este setor, e a expectativa do mercado é grande. Vamos torcer e trabalhar para que o setor naval brasileiro cresça e contribua positivamente na economia e na sociedade.

PN: Em março, representantes da Komea se reuniram com fornecedores brasileiros na Abimaq. Quais as oportunidades de cooperação e/ou intercâmbio entre empresas dos dois países?

Yoon Ho Seo:
 São inúmeras as ideias de cooperação e intercâmbio entre as empresas brasileiras e coreanas. Além da troca de informações e participações em feiras e eventos no Brasil e na Coréia, vamos tentar trabalhar com parcerias comerciais. O Brasil precisa ‘importar’ educação e tecnologia, mas também pode ‘exportar’ produtos comercialmente competitivos e de qualidade, aproveitando a situação do câmbio.

PN: Quais os pontos fortes e diferenciais da indústria naval da Coreia?

Yoon Ho Seo:
 A conhecida indústria naval da Coreia do Sul atual é resultado de diversos fatos históricos datados desde os tempos antigos. Simplificando, principalmente as guerras impulsionaram a necessidade de investimentos em educação e tecnologia. Não foi da noite para o dia, mas o trabalho contínuo ao longo do tempo levou o país à liderança na construção naval. Dentre os pontos fortes e diferenciais da indústria naval sul-coreana, além da já conhecida alta tecnologia, podemos citar o alto grau de planejamento e prazo de produção/entrega, competitividade comercial, melhoria-contínua, infraestrutura e cadeia de fornecedores completa que consegue atender às demandas.

PN: Alguns sites internacionais noticiaram que estaleiros coreanos estão com alto grau de ocupação por, pelo menos, quatro anos. Há possibilidade de parcerias para construção em estaleiros brasileiros?

Yoon Ho Seo:
 O mercado e o governo brasileiro estão se esforçando para recuperar o segmento marítimo, seja na construção naval, seja relacionado à energia. Na construção naval, podemos observar muitas tratativas de estaleiros brasileiros em busca de crescimento e obtenção de projetos. Há muito trabalho a fazer e é preciso uma somatória e interesse mútuo de muitas partes para fortalecer este segmento. Na minha opinião pessoal, o Brasil tem sim capacidade e recursos para atingir esse objetivo. E é nesse sentido que a Komea quer ajudar no intercâmbio tecnológico e comercial entre o Brasil e a Coreia do Sul.

Fonte: Revista Portos e Navios