
A política de desinvestimento da Petrobras não afetou fortemente o segmento de manutenção de plataformas. A Petrobras passou adiante várias áreas e poços desde o governo Temer, o que faz com que hoje, além da demanda da estatal, haja uma quantidade significativa de obras de tamanhos variados. Sem contar as outras grandes petroleiras que já estavam desenvolvendo e produzindo, antes do desinvestimento da Petrobras.
Fontes do setor explicam que até mesmo o descomissionamento de plataformas de campos maduros descontinuados tem gerado serviços para as empresas de manutenção. Já as plataformas antigas dos campos maduros ainda em produção alienados para outras operadoras, devido ao tempo, demandarão muita manutenção. A Petrobras continua a principal demandante a despeito da redução do parque de plataformas nos últimos anos.
Adyr Tourinho, presidente da Associação Brasileira das Empresas de Serviços de Petróleo (ABESPetro), diz que a redução das plataformas da Petrobras foi necessária pois eram de campos não economicamente viáveis com baixa produção e alto custo operacional.
“Algumas dessas plataformas tiveram os investimentos postergados pela Petrobras em função de seu plano estratégico de negócio. Surgem aí ótimas oportunidades de curto prazo para empresas de manutenção, pois as novas operadoras terão que fazer esses investimentos de imediato para garantir a continuidade das suas operações”, prevê Tourinho.
Ele informa que atualmente existem mais de 100 plataformas instaladas no Brasil. Muitas estão chegando perto do fim de sua vida útil. A Petrobras, sabendo que estaria desinvestindo diversos campos, optou por fazer um plano de manutenção mínimo de modo que pudesse postergar possíveis maiores investimentos. Tourinho explica que todas as plataformas exigem plano de manutenção preventiva em diferentes níveis. As novas não fogem dessa regra. Elas incorporam inovações para maior eficiência energética, menos poluição e maior automação, diminuindo a emissão de CO2 e a necessidade de pessoal a bordo.
A Petrobras informa que devido à pandemia houve uma redução do número de paradas no último ano, principalmente no 2º e no 3º trimestre de 2020. A campanha de paradas programadas foi retomada no 4º trimestre de 2020, com uma realização mais regular ao longo de 2021, apesar de a companhia ainda operar com um quantitativo de pessoas reduzido nas unidades, priorizando os serviços essenciais.
A companhia havia encerrado o primeiro trimestre de 2021 com 47 plataformas em operação, ante 86 em igual período do ano anterior. A queda deveu-se à decisão de hibernar diversas unidades ao longo de 2020, além da execução do programa de desinvestimentos. Com isso, a idade média das plataformas operadas pela empresa caiu de 18 anos para 10 anos na comparação anual.
Fernando Borges, diretor executivo de exploração e produção, informou na ocasião, que o ritmo de paradas para manutenção de plataformas voltou à normalidade no primeiro trimestre. Já na apresentação dos resultados do segundo trimestre, Borges informou que atualmente são 56 unidades em operação e em breve mais uma — o FPSO Carioca, que está em processo de comissionamento para iniciar a produção, além de outros em contratação.
“Serão 59 unidades de produção. Devido às normas brasileiras, é preciso fazer paradas de inspeção e manutenção. Em 2021, temos a previsão de mais 22 paradas programadas, num total de 38, ou seja, quase metade todo total de plataformas. Isso compromete em torno de 5% da produção”, informa Borges.
João Henrique Rittershaussen, diretor executivo de desenvolvimento da produção da Petrobras, informou que a companhia tem duas licitações para contração de mais unidades de produção, incluindo as plataformas P-81 e P-80, e opção para mais duas unidades. “Isso é o que temos firme hoje. Para o futuro, teremos a licitação de cessão onerosa de Sépia e Atapu e, naturalmente, a Petrobras ganhando, serão contratadas novas unidades”, sinalizou Rittershaussen.
Borges, diretor de E&P, explicou que enquanto se estão implantando os campos, a produção cresce; quando se termina de colocar todos os poços há um pequeno platô a partir do qual haverá um declínio natural em qualquer jazida e campo. Se não for feito um esforço adicional, a produção cai de 10% a 12% ao ano. Por isso o negócio de exploração e produção é capital intensivo e requer investimentos constantes para se buscar novas reservas.
“É uma atividade depletiva, extrai o recurso até o campo chegar a condições não econômicas e você abandoná-lo. Dizer que produção da Petrobras ficou estagnada dez anos em 2 milhões de barris é um absurdo. Para manter esse volume constante é preciso agregar, no mínimo, 240 mil barris diários todo ano, se não a produção cai”, ressaltou Borges.
Nessa busca por novas jazidas, em 2021 e 2022, para crescer a produção, a Petrobras tem previstos 20 poços exploratórios em novas jazidas. São 11 na Bacia de Campos — muitos na franja externa ao polímero do pré-sal, onde estão sendo furados dois poços exploratórios —, seis na Bacia de Santos, dois na Bacia do Espírito Santo, visando a jazidas abaixo do sal, e dois poços na margem equatorial.
“A Guiana e o Suriname estão obtendo tremendo sucesso. Temos blocos a 30 quilômetros da divisa com a Guiana e a 160 quilômetros da costa a três mil metros da lâmina d´água, mas ainda estamos esperando a licença ambiental para buscar a última fronteira exploratória que a Petrobras tem. A margem equatorial envolve uma série de bacias — Potiguar, Barreirinhas, Para-Maranhão e Foz do Amazonas. De 2022 a 2025, último ano do plano de investimentos vigente, temos até oito poços para perfurar. Se tivermos êxito, podermos ter mais poços. De uma maneira geral, temos previstos investimentos de US$ 1 bilhão, contemplando até oito poços” anunciou Borges.
Fonte: Revista Portos e Navios