A indústria terá de adotar novas tecnologias e avançar em termos de planejamento operacional para reduzir os riscos de acidentes na Margem Equatorial brasileira. As dificuldades associadas às atividades de exploração e produção na região foram debatidas no 10º Seminário de sustentabilidade e meio ambiente marinho, realizado nesta quarta-feira (11/11), no Rio de Janeiro.
“Os desafios na área exigem bastante preparo”, disse André Vitta, da Gardline Marine Sciences do Brasil, que, há cerca de um ano, vem coletando dados na região. Quatro fatores de risco foram ressaltados pelo especialista: a alta amplitude de marés; fortes correntes; ausência de infraestrutura; e alta sensibilidade ambiental.
As condições meteoceanográficas encontradas, incluindo o regime intenso de ondas, exigirão, por exemplo, a antecipação da instalação de equipamentos em épocas favoráveis. Em caso de vazamento, soluções como boias de contenção do tipo “current buster”, aptas para suportar correntes com velocidade superior a um nó, terão de ser utilizadas. Aviões, câmeras com infravermelho, radares e até satélites também são recomendados pelos especialistas.
Como se não bastassem os riscos oferecidos ao sensível litoral norte, indústria e autoridades terão de atentar para a possibilidade de toque de óleo para países vizinhos, como as Guianas e Suriname. “As conversas com o governo francês estão em fase final de entendimento”, comentou Edmílson Maturana, da coordenação geral de Petróleo e Gás do Ibama.
Pablo Gimenez, da Oceanpact, destacou que o país contribui relativamente pouco em termos de inovação tecnológica na área de contingência. “Quando deixaremos de ser consumidores para nos transformarmos em produtores de tecnologia?”, questionou, lembrando que nem todos os equipamentos hoje utilizados nas Bacias de Campos e Santos serão aptos para operar na Margem.
O país é, por outro lado, uma das quatro nações onde ficam os chamados well cappings. Desenvolvidos após o acidente de Macondo, no GOM, são conjuntos de válvulas que podem ser instalados na cabeça do poço para conter vazamentos. No entanto, caso seja preciso importar outros equipamentos, as petroleiras poderão ter dor de cabeça com a burocracia brasileira.
“Estamos discutindo com a Receita Federal, dentro do Plano Nacional de Contingência, meios de agilizar a entrada de pessoas e equipamentos no país em caso de emergência”, observou Marcus Vinicius Lisboa, da área de SMS da Petrobras.