Brasil Econômico – 11/03/2014
Investimento de US$ 10 milhões na fábrica em Contagem (MG), com capacidade para 150 trens, está subutilizado. Novo CEO cobra que o governo faça sua parte
Há pouco mais de um mês no comando da General Electric (GE), seu novo presidente e CEO Gilberto Peralta ainda se inteira dos planos da companhia. Segundo ele, a estratégia para o Brasil será mantida, assim como a previsão de investimentos de US$ 1,3 bilhão até 2016. O país é hoje o terceiro mercado para a GE no mundo e representa mais de 40% da América Latina em faturamento. O nosso investimento aqui não será reduzido ou revisto em função do cenário , ressalta, acrescentando que companhia deve fechar 2013 com um faturamento em linha ao do ano anterior, de US$ 3,3 bilhões. Os resultados oficiais devem ser divulgados ainda este mês.
Apesar do otimismo, o executivo está preocupado com o investimento feito em um de seus braços, a GE Transportation, que constrói locomotivas no Brasil e concentrou aportes de US$ 10 milhões nos três últimos anos. O montante foi destinado à fábrica de Contagem (MG), que aumentou sua capacidade de produção para 150 trens. No ano passado, só entregamos 47 locomotivas e, este ano, o nosso horizonte não aponta para mais de 50. Ou seja, ainda nos preocupamos um pouco com este investimento, diz o executivo. Precisamos deslanchar a infraestrutura ferroviária. Temos que aguardar que o Governo Federal faça a parte dele..
Momento oposto vive a divisão de Óleo e Gás, que nos últimos cinco anos foi o motor de crescimento da companhia. As perspectivas continuam boas para os próximos cinco anos. Para qualquer investimento na área de energia, o Brasil é prioridade. Com o pré- sal temos um dos maiores reservatórios de petróleo do mundo, ainda que não saibamos seu tamanho real, destaca.
Outras áreas também despontam, como GE Aviation, que inclui a GE Celma, unidade de reparo de turbinas, que em breve será a maior do mundoeque atende principalmente a demanda de mercado externos – cerca de 80% dos clientes são de fora do país.
A companhia está ainda investindo na nacionalização dos equipamentos produzidos no seu braço de Health Care. Mamógrafos, ultrassons e uma parte dos aparelhos de tomografia já são fabricados aqui. A aquisição de pequenas empresas está no nosso radar e já compramos algumas companhias, explica.
Pesquisa e inovação, além da formação contínua dos profissionais da empresa, também estão nos planos. No segundo semestre, será inaugurado o Centro de Pesquisa e Desenvolvimento no Parque Tecnológico da Universidade Federal do Rio de Janeiro, na Ilha do Fundão. A prioridade será a área de óleo e gás, mas o centro também fará pesquisas em outros segmentos em que a corporação americana atua. Trazer profissionais brasileiros que estão fora do país também faz parte da estratégia.
A GE tem um dos maiores planos de investimentos em pesquisa privada do mundo, de cerca de US$ 1 bilhão ao ano, destaca, acrescentando que o espaço abrigará ainda uma universidade corporativa.Vamos abrir uma unidade da universidade no Rio, que teve aporte de US$ 50 milhões. O conteúdo será 70% global e 30% local. Investimento muito no treinamento dos executivos. Apesar de ainda não ter sido inaugurado, 100 pessoas, sendo 80 pesquisadores, atuam no local, que já registrou sua primeira patente.