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Clippings - 10/07/17

Atrasos no pré-sal podem gerar perdas de 500 mil barris/dia em 2026

Atrasos na entrada em operação dos módulos destinados às produções do pré-sal, cessão onerosa e partilha da produção poderiam gerar uma perda de 500 mil barris/dia na produção nacional de petróleo em 2026. A previsão é que, sem atrasos, a produção brasileira de petróleo pule de 2,6 milhões de barris/dia em 2016 para 5,2 milhões de barris/dia em 2026.

As projeções estão no Plano Decenal de Energia (PDE) da EPE, documento que entrou em consulta pública nesta sexta-feira (7/7). A previsão é que ao final do perãodo o pré-sal já será responsável por 80% do total nacional. O cenário, no entanto, pode ser diferente caso ocorram imprevistos.

“Problemas associados à crise econômica no setor de petróleo e gás natural, bem como o cumprimento da legislação sobre conteúdo local apontam que poderá haver atrasos, estimados por dois anos, na entrada dos módulos”, afirma o documento.

Ao todo, a EPE estima que os investimentos para as atividades de E&P no Brasil fiquem entre US$ 280 bilhões e US$ 300 bilhões no perãodo de 2016 a 2026, no qual 45 unidades estacionárias de produção devem entrar em operação no país. No entanto, não há expectativa de que o preço do Brent ultrapasse os US$ 60/barril pelo menos até 2020. O valor pode chegar a US$ 80/barril apenas em 2026.

“Diante da conjuntura econômica mais restritiva pela qual passa o setor de petróleo e gás natural no Brasil e no mundo, possíveis revisões dos planos de investimentos das empresas atuantes no setor de E&P brasileiro poderão afetar as previsões no próximo ciclo do PDE”, alerta o documento.

Reservas

Já as reservas provadas de petróleo podem alcançar cerca de 35 bilhões de barris em 2023, aumento significativo em relação aos 20 bilhões de barris em reservas provadas projetados para o final de 2017. O aumento abrupto está relacionado aos volumes do excedente da cessão onerosa, Libra e outros recursos não descobertos. Tais regiões ganharão protagonismo nos próximos anos. Sem a contribuição da cessão onerosa, por exemplo, as projeções seriam de uma produção nacional de apenas 2,3 milhões de barris/dia em 2026, ao invés dos 5,2 milhões de barris/dia esperados.

A relação entre os volumes recuperáveis e as reservas provadas brasileiras também deve se manter alta no perãodo, com uma taxa entre 17 anos e 23 anos. De acordo com a BP, em 2015, a relação estava em 14 anos no Pacífico Asiático, 12 anos nos Estados Unidos, 24 anos na Europa-Eurásia e 42 anos na África.

Refino

A expectativa é que o país chegue em 2026 com uma exportação de 3,3 milhões de barris/dia de petróleo, se configurando como um dos principais players de exportação no mundo.

Nesse contexto, a EPE vê a possibilidade de vincular o processamento de refinarias no exterior ao petróleo brasileiro, por meio de parcerias e contratos de longo prazo, além de espaço para construção de novas refinarias no país. De acordo com o documento, o país deverá continuar como importador líquido dos principais derivados no perãodo, principalmente de nafta, QAV e óleo diesel A.

“Considerando que o parque de refino brasileiro foi adaptado para o processamento de petróleos mais pesados, o excedente da produção destinado para a exportação será majoritariamente de crus do tipo mediano e de baixo teor de enxofre, previstos na região do pré-sal e que constituirão a maior parcela da produção de petróleo nacional”, afirma a EPE.