Terminou sem decisão a audiência que definiria o modelo de financiamento do grupo Latam Airlines em sua recuperação judicial.
A audiência, comandada pelo juiz James Garrity, do Tribunal do Distrito Sul de Nova York, começou às 12h (horário local), nesta quarta-feira (5) e durou seis horas. O juiz ouviu testemunhas especialistas em finanças para decidir qual será o modelo de financiamento a ser adotado pela Latam. Ao fim da sessão, o magistrado disse que pretende tomar uma decisão “o mais rápido possível”.
A advogada Ana Carolina Monteiro, da área de insolvência do escritório Kincaid Mendes Vianna Advogados, que acompanha o caso, considera provável que o juiz tome uma decisão até segunda-feira (10), no mais tardar.
A justiça americana começou a discutir, na semana passada, o mecanismo de financiamento que a Latam pode adotar para enfrentar o processo de recuperação judicial. O juiz precisa decidir entre diferentes propostas de financiamento apresentadas até agora.
As famílias Cueto e Amaro e a Qatar Airways, que controlam a Latam, propuseram um empréstimo DIP (debtor in possession, que dá ao credor prioridade para quitar dívidas na recuperação judicial) no valor de US$ 900 milhões, podendo ser ampliado em mais US$ 250 milhões. O empréstimo pode ser convertido em participação acionária se a dívida não for paga.
Essa proposta é questionada por detentores de títulos da Latam e pelo fundo Knighthead Capital Management, credor da aérea, porque os acionistas podem passar a ter o controle total da Latam.
O Knighthead Capital Management, o Jefferies Finance e detentores de títulos de dívida da Latam (a maioria seguradoras) fizeram uma proposta de empréstimo DIP de US$ 2,2 bilhões. Mas essa proposta é questionada por outros credores porque os fundos não detalharam a origem do recurso.
Uma outra proposta de empréstimo DIP no valor de US$ 1,3 bilhão foi apresentada pelos controladores da Latam junto com a Oaktree Capital Management. Essa oferta também é questionada por parte dos credores, devido à cobrança de uma taxa de quase US$ 10 milhões que a Latam teria que pagar de forma antecipada ao fundo.
Na avaliação da advogada, a primeira proposta, feita pelos acionistas controladores da Latam, parece estar mais consolidada em comparação com as outras. “Eles apresentaram a origem dos recursos, com possibilidade de liberação imediata do empréstimo para reforçar o caixa da Latam. Acredito que esse financiamento tenha mais chances de ser escolhido pelo juiz”, avaliou Ana Carolina.
Fonte: Valor Econômico