Alguns especialistas avaliam que as mudanças que vêm sendo feitas nos leilões de concessão passam um sinal ruim ao mercado, de que o governo altera regras no meio do caminho. Na semana passada, por exemplo, pela primeira vez a presidente Dilma Rousseff considerou fazer uma Parceria Público-Privada (PPP) em vez de concessão para a rodovia BR-262, cujo leilão fracassou por falta de interessados.
– O investidor que participa de um leilão de concessão avalia várias questões, como o tempo que levará para lucrar. E sabe que o governo vira quase um sócio. Por isso, regras claras são importantes – diz o diretor da Comissão Econômica para América Latina e Caribe (Cepal) para o Brasil, Carlos Mussi.
Um sinal de que os estrangeiros estão olhando para outros emergentes na América Latina foi o fato de gigantes como Exxon, Chrevron e BP terem desistido de participar do leilão de petróleo de Libra, no pré-sal – alardeado como a maior oferta à disposição no mundo.
– O Brasil não é rota tradicional de investimentos estrangeiros em infraestrutura – reconheceu ao GLOBO um consultor do governo com experiência no exterior, para quem o Brasil tem de se esforçar para demonstrar lá fora que é interessante.
Para o executivo da IFC Gabriel Goldschmidt, o anúncio feito em Nova York pela presidente na quarta-feira, reafirmando o respeito aos contratos, foi um sinal importante para manter a atratividade do país. ( MB e DF )