
A Air France realizou, na terça-feira (18/5), o primeiro voo de longa distância movido a combustível de aviação sustentável (SAF, na sigla em inglês) produzido na França. O voo 342 da companhia saiu do aeroporto de Paris com destino a Montreal, no Canadá. O combustível, produzido pela Total, foi resultante de uma mistura de QAV convencional e biocombustível – este produzido a partir de resíduos, adicionado na proporção de 16%.
Resultado da parceria entre Air France-KLM, Total, Groupe ADP e Airbus, o voo “ilustra a sinergia de diferentes fatores para reduzir a pegada ambiental da aviação, ou seja, combustível de aviação sustentável, aeronaves de última geração e eletrificação das operações terrestres”, escreveu a Total em nota. A aeronave utilizada, a Airbus A350, consome 25% menos combustível que o modelo anterior, enquanto o reabastecimento do avião foi feito por um caminhão 100% elétrico, com equipamentos de apoio também elétricos.
Em abril, a Total anunciou a produção de SAF a partir de óleo de cozinha usado em sua biorrefinaria La Mède, no sul da França, e nas instalações de Oudalle, perto da comuna francesa de Le Havre. Segundo a companhia, o combustível utilizado reduziu as emissões de CO₂ do voo em 20 toneladas.
A legislação francesa exige a utilização de pelo menos 1% de SAF em todos os voos com origem no país até 2022. Já a meta europeia prevê o aumento gradual para 2% até 2025 e 5% até 2030. A partir de 2024, a Total produzirá o combustível a partir da refinaria de Grandpuits, próxima a Paris, que deixará de processar petróleo.
O SAF da Total tem como fonte a biomassa, mas existem outras formas de se produzir um combustível alternativo ao fóssil: gases residuais, resíduos sólidos, carvão e gás natural.
Em janeiro deste ano, a KLM realizou o primeiro voo comercial abastecido com uma mistura de querosene tradicional e querosene sintético – desta vez, produzido pela Shell. O voo partiu do aeroporto Schiphol, em Amsterdã, na Holanda, para a cidade de Madrid, na Espanha. O querosene foi produzido com base em uma solução de CO₂ e água, feita a partir do uso de energia renovável (solar e eólica).
Conforme publicado pela Brasil Energia, o QAV sintético pode impulsionar a transição energética do segmento de aviação. O empecilho, no entanto, é a sua viabilidade econômica.
Fonte: Revista Brasil Energia