A Azul, terceira maior companhia aérea do país, decidiu fixar um teto de R$ 999 para suas tarifas, por trecho, durante a Copa do Mundo, que vai de 12 de junho a 13 de julho. Segundo o presidente da empresa, o empresário David Neeleman, a definição de um preço máximo vai gerar perda de R$ 20 milhões para a Azul em receita.
É um ano em que vamos sofrer. Mas estamos enxergando isso como um investimento em nossa imagem, afirmou Neeleman ontem, na sede da empresa em Alphaville, bairro localizado em Barueri (SP).
A TAM informou que vai esperar a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) se pronunciar, no próximo dia 15, sobre as solicitações de voos extras para a Copa, antes de anunciar qualquer tipo de ação tarifária específica para o evento. A Gol também vai aguardar o dia 15 e a Avianca não comentou o assunto. Ao todo, a Anac avalia 1.523 pedidos de voos das empresas para a primeira fase da Copa, das quais 310 são da Azul.
O teto tarifário da Azul será implementando em passagens para o perãodo entre 12 de junho e 13 de julho. O limite de preço já está funcionando para passagens compradas agora, independentemente de terem escalas.
O preço de um bilhete da Azul de São Paulo a Recife para sexta-feira, dia 10 de janeiro (perãodo de alta temporada), por exemplo, supera R$ 1 mil o trecho, segundo simulação no site da companhia realizada ontem. Esse valor poderia subir ainda mais durante a Copa do Mundo, já que ambas são cidades-sedes do evento, e devem receber elevado fluxo de turistas nacionais e internacionais. A média de tarifas no mercado doméstico foi de R$ 300 no primeiro semestre de 2013, segundo a Anac.
John Rodgerson, diretor financeiro da Azul, disse que houve uma intensa discussão na companhia sobre a fixação da tarifa teto. A grande questão era: como fazer isso se não sabemos ainda como se comportarão o dólar e o preço do combustível?, disse o executivo.
A decisão da companhia, segundo Neeleman, foi na linha de não não chatear governo e consumidor por causa de R$ 20 milhões. É um evento único, afirmou o empresário.
O governo tem dito que considera a possibilidade de abrir o setor aéreo nacional às companhias estrangeiras, caso haja tarifas abusivas durante a competição. Mas segundo o Valor apurou, essa hipótese é bastante remota.
O ano da Copa pode trazer alta exposição da marca Azul, mas não necessariamente grandes lucros. Desde já, a companhia pretende reduzir em 20% o seu número de voos diários durante o evento – são entre 870 e 900 voos, de acordo com a época do ano. Isso porque aproximadamente 60% dos voos da Azul são referentes a viagens de negócios, que devem diminuir durante a competição esportiva. No fim das contas, vai sobrar avião parado, disse o empresário.
A Azul, que comprou a Trip em maio, tem hoje frota de 132 aeronaves.
No ano passado, os planos da Azul de abrir o capital na bolsa brasileira, em transação estimada em cerca de R$ 1 bilhão, foram frustrados pela Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O órgão regulador não aprovou a estrutura societária da companhia, cujas ações preferenciais (com direito a voto) recebem dividendo equivalente ao de 75 ações ordinárias.
A Azul recorreu do veto da autarquia em novembro e ainda aguarda retorno da autarquia. De acordo com o diretor financeiro da Azul, a companhia não vai abrir mão de sua atual estrutura para obter aval da CVM para realizar sua oferta pública inicial de ações (IPO, na sigla em inglês) na BM&FBovespa.
Segundo o executivo, o órgão regulador brasileiro está entendendo melhor o modelo da Azul e também está bastante sensível ao caso da companhia. Só chegamos aonde chegamos por causa da nosso nível de governança e estrutura, disse.
Rodgerson não descartou a possibilidade da Azul fazer uma oferta de ações no exterior, mas disse que o grande desejo da companhia é abrir o capital no Brasil. Ele afirmou que a captação de recursos em bolsa não tem caráter de urgência.
Questionado sobre a possibilidade de comprar a companhia aérea portuguesa TAP, Neeleman negou que tenha planos nesse sentido. (Colaborou Daniel Rittner, de Brasília)