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Clippings - 22/01/14

Azul sinaliza que dará poder econômico a futuros acionistas

A Azul deu ontem um importante sinal ao mercado no seu tortuoso caminho em direção à bolsa. A companhia aérea inaugurou as adesões ao Comitê de Fusões e Aquisições (CAF), órgão de autorregulação lançado no ano passado para mediar operações de reorganização societária. A BM&FBovespa, que apoiou a criação do CAF, também formalizou sua entrada.

O movimento, que à primeira vista pode parecer apenas burocrático, sinaliza que a empresa de David Neeleman está disposta a oferecer uma contrapartida aos seus futuros acionistas para a estrutura acionária concentrada, que garante superpoderes ao controlador por meio de uma ação preferencial turbinada.

A super PN da Azul foi o motivo pelo qual a CVM negou à Azul seu registro de companhia aberta – requisito prévio para a realização de uma oferta inicial. A aérea recorreu da decisão e espera um posicionamento do colegiado do regulador. Fontes envolvidas nas discussões sobre o futuro da companhia sugeriram ainda a adoção de outras contrapartidas, como voto para preferencialistas em determinadas matérias e vagas para minoritários no conselho. Segundo elas, a companhia, antes reticente, teria se mostrado mais aberta após a rejeição de seu modelo original.

O intuito do CAF é garantir equidade no tratamento dos acionistas em operações de reorganizações societárias, como fusões e aquisições, fechamentos de capital e ofertas públicas de aquisição, que não raro geram conflitos entre controladores e minoritários. As empresas que aderirem submeterão previamente esse tipo de transação ao aval do comitê, formado por 11 membros independentes. A Comissão de Valores Mobiliários (CVM) já informou que o parecer do CAF será utilizado como presunção de regularidade das operações.

O CAF não julga a estrutura de poder político das empresas, nosso papel é julgar o poder econômico. E, nesse sentido, a Azul está sinalizando aos seus acionistas que dará poder econômico aos minoritários, a despeito da estrutura política concentrada, afirmou João Nogueira, diretor-executivo do comitê.

Neeleman se mostrou confiante quanto à obtenção do registro. Entramos com recurso e estamos explicando com cuidado à aérea técnica como funciona nossa estrutura. Estamos otimistas quanto à possibilidade de que revejam a decisão, afirmou o dono da Azul a jornalistas após o evento de adesão ao CAF.

Segundo ele, a empresa espera uma ’janela’ de mercado e não tem pressa de ir à bolsa caso o registro seja aprovado. O mercado está um pouco conturbado e não temos pressa. Estamos agindo com calma e esperando uma boa oportunidade, afirmou.

A adesão de uma empresa com controle definido que pretende se listar em bolsa foi considerada bastante positiva pelos membros do CAF, que tenta deslanchar desde agosto do ano passado, quando a estrutura do comitê foi montada. Uma oferta já com o selo do comitê dá mais segurança para o investidor. Outras entrantes vão passar a considerar essa opção, como forma de sinalizar proteção ao acionista, disse Nogueira. A meta do comitê é contar com adesão de mais seis empresas até o fim do ano. (Colaborou Graziella Valenti)