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Clippings - 12/05/10

Barreira argentina pode afertar as exportações dos produtos de Santa Catarina

O governo argentino pretende impedir que redes de supermercado do país importem alimentos também produzidos localmente. Prevista para entrar em vigor em 10 de junho, a medida é vista como abusiva e inaceitável pela Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc), enquanto os produtores catarinenses se mostraram mais céticos de que o bloqueio realmente seja levado adiante.

Segundo a presidente da Câmara do Comércio Exterior da federação, Maria Tereza Bustamante, a decisão argentina pode afetar a balança comercial catarinense e outros 37 segmentos da indústria brasileira que comercializam alimentos com o país vizinho.

— A indústria brasileira vem sendo submetida a restrições de importação da Argentina desde 2002, e desde então as exportações para lá só têm caído.

A presidente da Câmara atribui esse resultado à falta de vontade política do governo federal em enfrentar a questão.

— Há uma determinação do presidente Lula dizendo que o mercado interno está bombando e que temos obrigação de colaborar com a Argentina, com isso o problema não se resolve e o país vizinho sente-se à vontade para impor os bloqueios — critica Maria.

Carne suína

Entre os 10 itens catarinenses mais exportados para o país vizinho, dois estão na categoria de alimentos: a carne suína (em cortes, carcaças e industrializadas, embora essa última forma seja menos frequente), do qual a Argentina é o terceiro maior comprador, e a banana (fresca, seca, caramelizada e embalada para consumo direto).

Maiores compradores de produtos catarinenses

No entanto, Maria ressalta que, mais relevante do que listar os produtos que podem ser barrados é não aceitar pacificamente essas barreiras sem atitudes de enfrentamento, mesmo que sejam de retaliação.

— A Fiesc vai reagir e o setor industrial vai reclamar e se manifestar, mas cabe ao governo adotar medidas de retaliação, caso sejam necessárias.

Surpreso com a notícia, o presidente da Associação Catarinense dos Criadores de Suínos (ACCS), Wolmir de Souza, enfatizou que esse tipo de medida restritiva é normal e resulta de uma política governamental em defesa do setor.

— Acredito que a decisão pretende criar a possibilidade de negociação com o Brasil, mas não acho que ela se sustente porque eles não conseguem suprir o mercado interno. Se não importarem, podem acabar causando uma explosão nos preços — afirma Souza.

Na avaliação do presidente da ACCS, o bloqueio mostra que está faltando ao Brasil habilidade de negociação.

— Mesmo se quisermos entrar em outros mercados, como Japão e China, vamos ocupar o lugar de outros exportadores, então precisamos ter um diferencial a oferecer para sermos fornecedores atrativos — explica.

Decisão intempestiva

Para o presidente da Aurora — agroindústria catarinense com a maior produção de suínos — Mário Lanznaster, a decisão argentina foi intempestiva e por isso não durará mais do que três semanas para ser revista.

— Deve haver um perãodo de diálogo e então eles acabarão reabrindo o mercado — afirma Lanznaster.

Com produção mensal de 70 mil toneladas, das quais 87% ficam no Brasil e 13% vão para o mercado externo, a Aurora exporta uma média de 400 a 500 toneladas mensais de carne de porco para a Argentina, que ocupa o quarto lugar como importador da empresa. Dessa quantia, quase 80% são de cortes de carne in natura e o restante, produto industrializado.

— A Argentina é um bom comprador, embora importe quantidades pequenas. Esperamos que voltem atrás, mas se mantiverem o bloqueio teremos de redistribuir no mercado interno, que é bem grande — avalia o empresário.