Um ano depois de anunciar a suspensão do processo de venda, a Petrobras deu início nesta terça-feira (3/4) à divulgação dos teasers dos novos planos de desinvestimento dos campos de Baúna, em Santos, e Tartaruga Verde, em Campos, que desta vez serão ofertados separadamente ao mercado, ao contrário do pacote original, lançado em 2015. Além do desdobramento, a petroleira optou por incluir no pacote de Tartaruga Verde o módulo III de Espadarte.
A perspectiva de retomada da venda dos dois campos era aguardada com expectativa pelo mercado e foi antecipada pela Brasil Energia Petróleo. Como nos pacotes de águas rasas, os dois processos estão sendo conduzidos pelo Bank of America e junto com o teaser de Piranema e Piranema Sul, lançado no início de março, inauguram a segunda fase do plano de desinvestimento da Petrobras.
A estratégia de separar os dois ativos pegou o mercado de surpresa, mas foi bem recebida. Petroleiras consultadas foram unânimes em avaliar que os dois projetos têm portes e estágios bastantes distintos e que de um modo geral atraem diferentes tipos de empresas.
Baúna está sendo vendido integralmente, com a transferência da operação, contra os 50% de Tartaruga Verde e do módulo III de Espadarte, tendo a Petrobras como operadora. Em operação desde fevereiro de 2013, Baúna produz atualmente cerca de 34 mil barris/dia de óleo, através do FPSO Cidade de Itajaí, enquanto Tartaruga Verde tem previsão de primeiro óleo para o segundo trimestre. O módulo III de Espadarte será interligado no 1º trimestre de 2021.
A expectativa é de que a venda de Baúna atraia um número maior de empresas. Embora menor, tanto do ponto de vista de porte quanto de vida útil, aos olhos do mercado o projeto de Santos representa caixa imediato e menor risco.
No caso de Tartaruga Verde, alguns executivos e especialistas do setor demonstram preocupação com o fato de o FPSO Campos dos Goytacazes estar pronto desde setembro aguardando a liberação da licença ambiental. A preocupação gira em torno do impacto disso sobre o VPL do projeto, tendo em vista que a taxa diária de afretamento da unidade de produção da Modec supera o valor de US$ 600 mil.
Há também o risco de implementação de um projeto do porte de Tartaruga Verde que irá produzir 100 mil barris/dia de óleo, por meio de 11 poços (seis produtores, três injetores de água e um injetor de gás). Outro ponto de atenção está ligado ao processo de unitização com a PPSA.
No processo anterior, apesar de ofertados no mesmo pacote, junto também com o campo de Golfinho, na Bacia do Espírito Santo, as empresas podiam escolher seus ativos de interesse, tendo em conta que a Petrobras daria prioridades às propostas que contemplassem os três ativos. Na ocasião, apenas a Karoon, declarada vencedora do pacote em outubro de 2016, e a PetroAtlantico, apresentaram propostas para os dois ativos. Ouro Preto e PetroRio também disputaram o negócio, mas só apresentaram proposta para a Baúna.
No mercado é dado como certo de que a Karoon, PetroAtlântico e a PetroRio voltem a analisar Baúna. Outras empresas da lista de possíveis interessados são a Queiroz Galvão e a DEA, que no processo original se associou com a PetroAtlântico, através da Letter One. No caso de Tartaruga Verde as apostas se direcionam aos novos entrantes, como é o caso da Petronas. Antes de o processo original ser lançado, a ExxonMobil chegou a analisar os dados do Tartaruga Verde, mas o negócio não foi adiante.
As empresas interessadas nos dois pacotes têm até o dia 8 de maio para enviar seus documentos para a Petrobras.
Terrestre avança
Nesta terça-feira (3/4), a Petrobras anunciou o início da fase vinculante do pacote de desinvestimento dos dois polos terrestres Riacho da Forquilha e Miranga, localizados nas bacias Potiguar e Recôncavo, respectivamente. As empresas habilitadas no processo receberão cartas-convite com instruções detalhadas sobre a próxima etapa, que incluirá orientações sobre a due diligence e o envio das propostas firmes, com data a ser agendada.
No polo de Riacho da Forquilha estão sendo vendidos 34 campos, sendo 30 envolvendo 100% de participação e mais a transferência da operação (Acauã, Asa Branca, Baixa do Algodão, Boa Esperança, Baixa do Juazeiro, Brejinho, Cachoeirinha, Fazenda Curral, Fazenda Junco, Fazenda Malaquias, Jaçanã, Janduí, Juazeiro, Lorena, Leste de Poço Xavier, Livramento, Maçarico, Pardal, Patativa, Pajeú, Paturi, Poço Xavier, Riacho da Forquilha, Rio Mossoró, Sabiá, Sibite, Três Marias, Trinca Ferro, Upanema e Varginha) e quatro campos com participação parcial e sem a operação (Cardeal, Colibri, Sabiá Bico de Osso e Sabiá da Mata).
Em Cardeal e Colibri, operados pela Partex, estão sendo vendidas participações de 50%. Já em Sabiá da Mata e Sabiá Bico-de-Osso, projetos operados pela Sonangol, com 30%, está sendo ofertada uma participação de 30%, em cada campo.
Os dois pacotes dos polos de Riacho da Forquilha e Miranga foram colocados à venda em agosto, junto com o polo de Buracica, na Bahia, que reúne um total de sete campos (Buracica, Fazenda Panelas, Fazenda Matinha, Conceição, Quererá, Fazenda Santa Rosa e Lagoa Branca). O processo de desinvestimento destes projetos segue ainda na fase não vinculante.
Fonte: Revista Brasil Energia