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Clippings - 04/03/10

BB garantirá liderança do IRB no país

A operação que pode dar o controle do IRB-Brasil Re ao Banco do Brasil (BB) será um passo essencial para que a resseguradora alcance os objetivos de manter a liderança no mercado nacional e busque participação em projetos de países da América Latina a partir de 2011. A afirmação foi feita pelo presidente do IRB, Eduardo Nakano, que acredita no sucesso da negociação entre Tesouro e BB ainda este ano.

Nakano, que participou de mesa redonda sobre o setor de resseguros organizada pela Câmara de Comércio França-Brasil, ressaltou que a entrada do BB no capital do IRB criará uma estrutura verticalizada, com a construção de sinergias que vão possibilitar mais oportunidades de negócios.

No futuro próximo o IRB vai ser uma empresa do conglomerado Banco do Brasil. Aí sim vamos ter uma resseguradora, seguradora, banco de investimento, banco comercial e um rol de produtos para oferecer para a clientela, frisou Nakano.

Uma vez concretizada a entrada do BB no capital do IRB – hoje a resseguradora tem 50% do seu capital nas mãos do Tesouro e outros 50% sob comando de seguradoras -, a resseguradora deverá colocar em prática a internacionalização para projetos na América Latina, inicialmente nos setores de garantia, que garante o cumprimento de uma obrigação contratual, e engenharia.

Segundo Nakano, a consolidação da liderança no Brasil e a internacionalização para a América Latina são as duas principais metas do plano de ação do IRB até 2013.

O IRB quer se fixar definitivamente como líder do mercado nacional e, posteriormente, na América do Sul. Isso já vai ser pela participação da economia brasileira e pela evolução de países da América Latina cujo futuro não é muito agradável e vai facilitar nossa tarefa, ponderou Nakano, acrescentando que países como a Venezuela, cuja economia não passa por um bom momento, tem participação do resseguro como fatia do PIB em uma proporção maior que a existente no Brasil.

No ano passado, até novembro, o IRB respondeu por R$ 2,585 bilhões em prêmios, o equivalente a 78% do mercado ressegurador brasileiro. No total, os R$ 3,316 bilhões em prêmios cedidos pelas cinco resseguradoras locais no Brasil representaram a maior fatia dos R$ 3,941 bilhões do total de prêmios de todo o setor no país.

Desde a abertura do mercado, em 2008, as cinco resseguradoras registradas na Superintendência de Seguros Privados (Susep) como locais – IRB, Munchener Runk, J. Malucelli, Mapfre e XL – têm a preferência na hora em que os contratos são oferecidos. Fatias menores dos resseguros ficam com as resseguradoras admitidas e eventuais.

Nakano disse ainda que, pela projeção de crescimento da economia brasileira e pela expectativa de novos projetos de grande porte no país, envolvendo a exploração do pré-sal, as grandes hidrelétricas e eventos como a Copa do Mundo e a Olimpíada, as resseguradoras atualmente cadastradas na Susep, seja como locais, admitidas ou eventuais, não teriam condições de cobrir todos os riscos projetados.

Para isso, o IRB já procura parceiros ainda não registrados no Brasil que possam conceder uma capacidade adicional que prepare a maior resseguradora para negociar os contratos quando os projetos começarem a ser implantados.

Procuramos corretoras e parceiros nossos antes da abertura, já que nem todos os parceiros anteriores à queda do monopólio se cadastraram. O painel do IRB é maior que aqueles com autorização para operar no Brasil, lembrou Nakano.

O executivo espera que o crescimento do mercado de resseguros no país cresça a taxas superiores ao PIB nacional e fique mais próximo do avanço registrado pelas seguradoras, na casa dos 9% ao ano, justamente por conta da entrada em operação de grandes projetos nos próximos anos.