A Petrobras adiou para o próximo dia 30 o prazo de entrega de propostas da licitação para contratar serviços integrados de logística para Libra, no pré-sal da Bacia de Santos. Esse é o segundo adiamento do bid, cujo prazo anterior terminava na segunda-feira (14/5).
Em circular enviada aos concorrentes, a petroleira informou que precisava de mais tempo para responder a todas as questões formuladas pelas empresas a respeito da licitação, cujos moldes são diferentes em relação a processos anteriores, com a possibilidade de integrar serviços terrestres, marítimos e aéreos.
Parte das dúvidas se refere à formação de consórcios abrangendo todo o escopo de serviços. Uma delas é se a Petrobras exige que todas as empresas de cada consórcio – não apenas as que receberam o convite – estejam inscritas no CRCC, o que restringiria o número de participantes.
Como são basicamente quatro empresas de aviação que atuam no mercado offshore brasileiro (Aeróleo, CHC do Brasil, Líder Aviação, Omni do Brasil), essa seria a quantidade máxima de consórcios integrando apoio aéreo formados. A Brasil Energia Petróleo apurou, contudo, que a Líder aviação deve entrar na licitação sozinha.
O cenário, entretanto, ainda pode mudar. “Essa formação de consórcios está muito dinâmica. É uma coisa muito nova e complexa”, observou uma fonte do setor.
Além das companhias aéreas, a Petrobras convidou empresas de navegação, operadores aeroportuários e multimodais. Nesse último grupo estão incluídas a suíça Panalpina e a alemã Kuehne & Nagel. Ambas já têm um histórico de contratos como agenciadoras de carga com a estatal, mas não como gestores de cadeia de suprimento.
Entre os operadores portuários que devem participar do processo estão a Brasco, Edison Chouest e Triunfo Logística, que já prestam serviços para a Petrobras, e a Nitshore, que atende à PetroRio a partir de Niterói (RJ). CPVV, Libra e Multiterminais não foram convidadas.
De origem norte-americana, o grupo Edison Chouest teria, em princípio, uma posição favorável na disputa, já que opera embarcações de apoio marítimo pela Bram Offshore e uma base de apoio logístico por meio da Brasil-Port, no Porto do Açu (RJ).
Com passagens pela SHV Energy e Halliburton, o especialista de estratégia logística, Maurício Pacheco, assinala que, ao se consorciarem, os prestadores de serviço proporcionarão redução de custos à cadeia.
“A delegação e a centralização de gestão é um caminho irreversível. É assim em vários sites pelo mundo. Resta saber quais os players que saberão interpretar esta oportunidade de construção de parcerias como possibilidade de real ganho de escala e reorganização logística verticalizada”, argumenta.
PB-Log
A Petrobras ainda não esclareceu se sua subsidiária Petrobras Logística de Exploração (PB-Log) participará da licitação.
A possibilidade tem preocupado o mercado, na medida em que seria inviável competir com as embarcações e infraestrutura portuária da empresa.
Procurada, a estatal declarou que não se pronuncia sobre a relação de participantes de seus processos de contratação, mas ressaltou que a licitação é considerada “bastante competitiva, visando alcançar resultados economicamente interessantes para o consórcio [de Libra]”.
Edital em detalhes
O escopo da licitação prevê a prestação de serviços de logística aérea de pessoal e contingencial, operações aeroportuárias, de apoio marítimo de cargas, logístico terrestre/ rodoviário de cargas, armazenagem e de apoio à integração dos serviços, programação, otimização e benchmarking.
Três modelos de contratação estão previstos. O primeiro, aéreo, está dividido em dois subtipos, um dos quais consistindo no afretamento de aeronaves conforme demanda de helicópteros calculada pela Petrobras, e outro conforme demanda de passageiros estimada pela estatal.
O segundo modelo visa suprir a demanda de transporte e armazenagem de cargas por via terrestre e marítima, operações portuárias e a gestão de toda esta cadeia, enquanto o terceiro agrega toda a demanda descrita para os casos anteriores
As empresas podem optar por apresentar propostas apenas para o tipo que seja do seu interesse e escopo de atuação, não havendo restrições para que um mesmo grupo possa apresentar propostas para todos os tipos.
O conteúdo local mínimo exigido é de 50% nos apoios aéreo e marítimo e de 80% no apoio terrestre. As bases de decolagem devem serão em Cabo Frio e Jacarepaguá, no Rio de Janeiro.
Para a base de Jacarepaguá, a Petrobras exige um helicóptero de grande porte, três de médio porte e uma ambulância. Já em Cabo Frio são demandadas uma aeronave de grande porte, duas de médio porte e uma para serviços médicos. Os contratos variam entre um e cinco anos.
O prazo de mobilização é de 180 dias a partir do resultado da contratação.
Fonte: Revista brasil Energia