
A Enauta deu início ao processo de licitação para adaptação e afretamento do FPSO definitivo de Atlanta, campo de óleo pesado localizado na Bacia de Santos. A carta-convite foi lançada na sexta-feira (5/3), indicando a exclusividade de uso de um FPSO selecionado pela petroleira.
Segundo apurado, o FPSO é o OSX-2, construído pela SBM em 2013 sob contrato da extinta OGX. O FPSO OSX-2 está parado na Ásia, sem nunca ter operado. Capacitado com planta de produção para 100 mil barris/dia de óleo, a unidade tinha como destino o complexo de campos Tubarão, localizado em águas rasas da Bacia de Campos, mas por conta dos problemas do grupo X nunca foi colocado em operação.
A Enauta exige que o FPSO seja adaptado para produzir 50 mil barris/dia de óleo. O contrato de afretamento terá prazo inicial de 15 anos, podendo ser prorrogado futuramente.
Segundo apurado, a petroleira possui contrato de exclusividade com o pool de bancos que possuem a propriedade da unidade de produção. As operadoras de FPSO que tiverem interesse no negócio precisarão negociar o contrato de compra da unidade de produção.
A licitação será feita em duas etapas distintas. Programada para se estender por 45 dias, a primeira fase será voltada para o posicionamento das empresas acerca de dúvidas e necessidades de adaptação da unidade. A entrega de proposta está marcada para novembro.
O início de operação do sistema definitivo de Atlanta está previsto para ocorrer em meados de 2024. A assinatura do contrato do FPSO ocorrerá apenas em 2022.
A planta do FPSO será adaptada para produzir óleo mais pesado, de 14º API. Também serão necessárias adaptações para que a unidade possa operar em lâmina d’água mais profunda, na faixa de 1,14 mil m.
O prazo contratual do serviço de adaptação será de 27 meses, embora a Enauta considere que haja espaço para reduzir o tempo de adaptação. Operadoras de FPSOs ouvidas pelo PetróleoHoje consideram que será necessário trocar pelo menos algumas chapas do casco do FPSO OSX-2.
Licitações por vir
O bid do FPSO marca o pontapé para o desenvolvimento da nova etapa do campo de Atlanta. Dentro de cerca de dois meses, a Enauta irá lançar outras licitações direcionadas ao projeto.
A intenção é dar início aos processos de compra dos equipamentos submarinos, serviços de poços e afretamento de uma sonda para o projeto.
O escopo do sistema definitivo de Atlanta foi revisto, recentemente, pela Enauta, tendo em vista o novo patamar de preço do barril do petróleo. Ao invés das 12 poços previstos no layout original, o projeto contará com um total de seis a oito poços produtores.
O campo de Atlanta produz atualmente através de um sistema antecipado de produção, explotado pelo FPSO Petrojarl I. No momento, apenas um poço está conectado à unidade, produzindo cerca de 10 mil barris/dia de óleo. O sistema possui três poços, que chegam a produzir, juntos, cerca de 25 mil barris/dia de óleo.
Fonte: Revista Portos e Navios