Na ponta do lápis, a expectativa é de que devem ficar no Brasil US$ 5,3 bilhões dos US$ 13,3 bilhões que o Santander pretende liberar, nos próximos três anos, para financiamento de infraestrutura na América Latina.
O valor foi anunciado ontem, em Madri, pela presidente mundial do banco, Ana Botín, em encontro com jornalistas da região. Não houve indicação do destino dos recursos, mas atualmente o Santander empresta para investimentos em energia, com ênfase em renováveis, rodovias, portos e aeroportos.
Respondendo a uma pergunta de ZH, Ana Botín afirmou que é difícil ocupar o espaço de um grande banco público – a capacidade do BNDES está limitada pela crise nas finanças da União –, mas reforçou que é fundamental, para o Brasil, fazer as reformas estruturais que permitam atrair capital estrangeiro e reduzam o custo de fazer negócios no país.
– Em encontros internacionais de negócios, sempre faço questão de dizer que o Brasil não tem só commodities. Não exporta só para a China. Tem setores industriais importantes. Tentamos ajudar em uma negociação entre uma pequena empresa de Bristol (Reino Unido), com tecnologia de ponta, e uma grande empresa brasileira, e houve muitas exigências, até de instalar uma planta no Brasil – disse a banqueira, exemplificando as barreiras para investir no país.
Ainda sobre o Brasil, Ana Botín confirmou o interesse do Santander na compra das operações de varejo do Citibank. O banco de origem norte-americana colocou à venda as divisões no Brasil, na Argentina e na Colômbia. No Brasil, Safra e Itaú também fizeram ofertas. Apesar de reiterar a participação na disputa, a
presidente do Santander deixou claro que a compra só sai se for conveniente:
– Não podemos comentar temas concretos. O que podemos dizer é que temos interesse e obrigação de analisar todas as oportunidades. No ano passado,
analisamos o HSBC, mas não conseguimos comprar massa crítica suficiente para competir. Não precisamos comprar. Só o faremos se a oportunidade fizer sentido financeiro e estratégico.
Ana Botín se manifestou na abertura do 15º Encontro Santander América Latina, na sede mundial da instituição, na pequena cidade de Boadilla del Monte, próxima a Madri. Conforme ela, se os países latino-americanos aumentassem os investimentos em infraestrutura para 5,2% do PIB da região a cada ano, elevariam seu potencial de crescimento em dois pontos percentuais.
No Brasil, o Santander é o terceiro banco privado, atrás de Itaú Unibanco e Bradesco. Ao comentar a exposição aos riscos do Brexit, uma vez que o Reino
Unido ultrapassou o Brasil como maior mercado do Santander, Ana Botín afirmou que uma das consequências será a de que o Brasil deve retomar sua posição.
– Espero que o Brasil seja número um, e logo, já em 2017. Depende muito do câmbio, que este ano não nos favoreceu. Mas agora isso mudou, porque a libra é
que é a moeda fraca, e o real, a forte.
A jornalista viajou a convite do Santander