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Clippings - 28/10/22

Blockchain é capaz de rastrear origem e qualidade de carregamentos marítimos

Arquivo/Divulgação

Sistema digital pode melhorar controle e monitoramento de cargas, associado a dispositivos auxiliares via Internet das Coisas (IoT), como termômetros e controladores de umidades, diz especialista

O blockchain tem sido apontado por especialistas em novas tecnologias digitais, especialmente para a indústria marítima, naval e offhshore, como uma das facilitadoras das pontas da cadeia logística, ao prometer segurança de dados, garantia de qualidade e transparência em todos os processos, como o rastreamento do estoque, frete, transporte, faturamento, pagamentos, entre outros.

O especialista em inovação no Manaus Tech Hub, Daniel Goettenauer, afirmou que o blockchain, entre outros sistemas online, pode melhorar as operações portuárias e/ou marítimas, considerando, inclusive, a intermodalidade com o transporte rodoviário e/ou ferroviário. O hub consiste num espaço de inovação aberta criado e mantido pelo Sidia Instituto de Ciência e Tecnologia, visando contribuir com a ampliação do ecossistema de inovação da região Norte e do Brasil.

“A rastreabilidade e a integridade de dados garantem melhores tratativas em várias situações e, consequentemente, melhorias geradas pelo conjunto de dados registrados”, comentou ele à Portos e Navios, salientando que, embora seja um setor complexo por demandar muitos estágios e processos burocráticos para o transporte de mercadorias e o envolvimento de documentos e notas fiscais, as empresas estão sempre procurando novidades para as otimizações de dentro para fora. De acordo com o especialista, junto com a Internet das Coisas (IoT), Inteligência Artificial (IA) e Big Data, o blockchain caminha para se tornar, mesmo que em longo prazo, o novo padrão para simplificar processos com muita burocracia, como é o caso do transporte marítimo.

Isso porque ele é capaz de rastrear a origem das cargas de produtos, o que pode facilitar, por exemplo, o monitoramento de carregamentos marítimos, especialmente os refrigerados (refeer), que exigem maior controle na navegação de longo curso. “Cargas são tratadas por lotes de transporte e fabricação, e um melhor controle e monitoramento dessas cargas, com um conjunto de dados que podem ser obtidos de dispositivos IoT auxiliares, como termômetros e controladores de umidades, garantem maior confiabilidade no controle da qualidade dessa carga”.

Na visão de Goettenauer, muitos portos e terminais portuários, especialmente do Brasil, que ainda usam muito o papel e as planilhas de computador, já consideradas obsoletas, o blockchain poderia funcionar como um grande livro caixa, que registra os dados. “A vantagem desse sistema digital é que esses dados não podem ser alterados ou adulterados, o que pode levar à implementação de melhorias, para que informações fiscais sejam anexadas à carga rastreada”, informou o especialista.

Comércio exterior
O CEO e fundador da Logcomex, Helmuth Hofstatter, destacou que, pelo mundo afora, o blockchain vem ganhando força, graças à sua versatilidade e segurança operacional. “O comércio exterior, por sua vez, vem sendo impactado por diversas transformações tecnológicas que demandam agilidade, eficiência e segurança. Além de inovadores e possuírem alto nível de segurança, os dados presentes nas transações do blockchain são imutáveis e trazem agilidade ao reduzir a circulação de papéis e automatizar processos, sem a necessidade de várias intervenções humanas”.

No comércio nacional, o executivo destacou que o blockchain é usado no processo de validação de documentos, via plataforma digital, além de trocar informações entre as aduanas, que estabelecem acordos mútuos de conhecimento. “Outro ponto interessante é a sua relação com a certificação OEA (Programa Operador Econômico Autorizado, em português), uma vez que as aduanas podem buscar informações pelo blockchain sobre as empresas certificadas. Ou seja, quanto mais a empresa estiver acompanhando e implementando soluções tecnológicas que trazem visibilidade de ponta a ponta da operação de comércio exterior, informações em tempo real e maior controle para otimizar a gestão de importação, mais o comércio global torna-se seguro e ágil”, analisou Hofstatter.

Case na indústria
Recentemente, a empresa brasileira Icro Group lançou o Neuron, uma tecnologia que leva inteligência e autonomia para as máquinas industriais, permitindo que esses ativos tomem decisões preventivas, antes que falhas ocorram, determinando o melhor momento de uma parada para manutenção, antecipando-se às quebras repentinas que tanto trazem prejuízos aos processos produtivos de todos os segmentos industriais.

Fruto da combinação de tecnologias de última geração, como blockchain, IoT, IA, machine learning (aprendizado de máquina, em português), deep learning, realidade aumentada e realidade virtual, o Neuron – que, segundo a empresa, pode ser aplicado para a manutenção de máquinas e equipamentos da indústria naval, assim como de empresas ligadas a portos e navios – reduz o tempo de inatividade das máquinas por manutenção, os estoques de peças, os desperdícios de tempo e de mão de obra, aumentando o ciclo de vida dos equipamentos, bem como sua disponibilidade e produtividade.

O diretor de desenvolvimento, estratégia e inovação da Icro Group, Armando Marsarioli, destacou que a utilização do blockchain, combinado a outras tecnologias inteligentes, confere ao Neuron a conectividade de atividades preditivas e prognósticas de manutenção, produção, fornecedores de peças e serviços. “Tudo isso diminui o tempo de programação da parada, de execução da reparação e montagem do equipamento de volta à linha de operação”, acrescentou.

* Com informações da Logcomex e Icro Group

Fonte: Revista Portos e Navios