
A Blue Marine Telecom concluiu o Desktop Study (DTS), o estudo de rota da malha óptica submarina que será implementada na Bacia de Campos. O DTS é o primeiro estudo a ser feito para identificar uma rota segura e economicamente viável ao cabo óptico, explicou o gerente de contrato do consórcio Blue Marine, Carlos Eduardo C. Castro ao PetróleoHoje.
Segundo o executivo, este estudo avalia, a partir de informações existentes e cartas náuticas, os riscos marinhos (como cabos existentes e naufrágios), a geomorfologia e dados oceanográficos e antropogênicos, a fim de evitar obstáculos e condições desfavoráveis.
Além disso, a empresa consulta o International Cable Protection Committee (ICPC), onde também divulga “para todas as pessoas cadastradas no órgão os cabos que passarão por ali”, explicou Castro. Nesse caso, se alguém ou alguma empresa tiver uma objeção ou restrição, o órgão é notificado. Em seguida, a empresa é comunicada.

Como complemento ao DTS, será feito um estudo mais detalhado através do Marine Survey – o Inshore Survey e o Offshore Survey. O primeiro é feito em águas rasas, com embarcação de pequeno porte e atividades de mergulho e sondagens, enquanto o segundo é realizado em águas profundas, utilizando embarcação de médio porte equipada com recursos para pesquisa geofísica e geotécnica, “de modo a confirmar ou alterar a rota definida preliminarmente no DTS”, afirmou Carlos Eduardo.
No entanto, a fim de atender os marcos contratuais, e visando a disponibilidade de embarcações disponíveis, a companhia não pretende esperar a conclusão do Marine Survey. A opção da Blue Marine Telecom é se basear no DTS e seguir com o projeto, pois “seria basicamente uma confirmação e/ou um ajuste fino, se realmente encontrar alguma coisa nesse aspecto de uma condição diferente”, destacou Castro, referindo-se ao Marine Survey.
Sobre a previsão de chegada dos umbilicais à Bacia de Campos, o CEO da companhia, Rodrigo Magarotto disse que ainda há algumas etapas a serem cumpridas. Nos próximos meses, espera-se a vinda dos equipamentos de transmissão, que estão sendo fabricados na China. Enquanto isso, uma equipe irá vistoriar as embarcações que conduzirão a implantação do projeto submarino.
A Blue Marine Telecom e a Petrobras assinaram o contrato em junho deste ano. Com expectativa de conclusão em meados de 2025, o projeto inclui a instalação de 585 km da malha óptica submarina, conectando duas estações terminais em terra a 12 plataformas. Também há a construção de uma cable landing station (estação de onde partem/chegam os cabos em terra) em Anchieta (ES), e a ampliação de outra, em Barra do Furado, no município de Quissamã (RJ).
Destes 585 km, serão 442 km do cabo principal que interligará as duas estações; 12 unidades de ramificação (branching units), além dos três passive branching units (PBU), que medirão no total 104 km de cabos em profundidades de até 2.500 metros; e serão 12 umbilicais, somando 39 km.
Fonte: Revista Brasil Energia