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Clippings - 09/08/10

BNDES defende exportação de commodities

O presidente do BNDES (Banco Nacional do Desenvolvimento Econômico), Luciano Coutinho, criticou os que depreciam as exportações brasileiras de commodities e disse que é falsa a dicotomia entre ser produtor de matérias-primas e de bens industriais. A opinião de Coutinho é aplicada na prática pela CSN, que exporta tanto o aço pronto, em forma de bobinas, quanto o minério de ferro.

Nós não podemos cair num falso dilema. Temos que ter a capacidade de fazer as duas coisas. É o desafio brasileiro, disse.

Ele afirmou que está sim preocupado com o recuo das manufaturas nas vendas brasileiras -no primeiro semestre deste ano, o saldo comercial industrial foi o pior desde 1997. Mas observou que não é trivial exportar commodities de qualidade em grande escala.

Requer competência empresarial em logística, competência mercadológica, estruturas de financiamento, capacidade de mobilizar sistemas de fornecedores e muitas vezes desenvolvimento tecnológico. Isso não é percebido claramente.

Especialista em desenvolvimento industrial, Coutinho disse falar como professor e não como dirigente do banco estatal ao receber o prêmio de personalidade acadêmica-pública de 2010 do Cebri (Centro Brasileiro de Relações Internacionais).

Ele se concentrou nos desafios representados pela China. Disse que a demanda de Pequim por matérias-primas inverte a teoria do argentino Raúl Prebisch (1901-1986), segundo a qual produtores de commodities estavam condenados à periferia do sistema internacional.

Nesse aspecto, a ascensão chinesa é uma oportunidade para o Brasil. Por outro lado, afirmou, as ambições tecnológicas chinesas são um tremendo desafio à indústria nacional.

Se não tivermos sabedoria e capacidade de fortalecer nosso sistema empresarial para desenvolver competitividade industrial e tecnológica avançada, a China poderá representar um fator dramático de inibição do potencial do Brasil.

Coutinho alertou que os aumentos salariais em curso na China não reduzirão sua competitividade. Os diferenciais absolutos de custo em todos os itens importantes são tão dramáticos que não vejo nos próximos anos que o gap vá se fechar de maneira que nos permita negligenciar a preocupação com o desenvolvimento industrial-tecnológico.

Investimentos

Na China, citou, os investimentos privados em inovação chegam a 1,44% do PIB, contra 0,50% do Brasil. O setor privado brasileiro precisa no mínimo triplicar sua capacidade de investimento em inovação para chegar ao que China já chegou hoje.

Coutinho disse que as críticas aos empréstimos do BNDES para consolidação e internacionalização de empresas são baseadas em desinformação e que o movimento foi em grande parte espontâneo, fruto do amadurecimento da capacidade competitiva das empresas brasileiras.

Se você olhar todas as economias de desenvolvimento recente, a Coreia internacionalizou suas empresas desde os anos 80, a China desde os 90, a Índia desde o final dos 90. O Brasil é a oitava economia do mundo. É um processo natural de qualquer sistema de mercado, à medida que as empresas amadurecem.

Ele lamentou, no entanto, que a internacionalização continue restrita a empresas de produtos básicos. A Embraer continua sendo um exemplo solitário de empresa de alta tecnologia que conseguiu sucesso internacional. Replicar [isso] através de políticas não é tarefa fácil.