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Clippings - 23/05/14

BNDES defende mais incentivo para empresa brasileira no exterior

Apesar das críticas que o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) tem recebido por financiar projetos de empresas brasileiras no exterior, o diretor da área internacional do banco, Luiz Eduardo Melin, afirmou que é preciso tornar o banco mais proativo nesta área. Em entrevista ao Valor durante participação em evento dos Brics, no Rio, Melin defendeu que o BNDES busque oportunidades internacionais para empresas brasileiras.

Em sua análise o Brasil perde espaço em mercados importantes, como da América Latina, Caribe e África, por não ter uma atuação mais presente do banco de fomento no mercado externo. “Países estão com seus bancos de desenvolvimento e agências de crédito à exportação empenhados em prospectar oportunidades de mercado, buscando abrir mercados para os produtos dos seus países. Estamos ficando na lanterna”, avaliou.

Para ele, além da proatividade, a saída é flexibilizar instrumentos de apoio às empresas exportadoras de bens e serviços.

“Buscamos o tempo todo ampliar as formas pelas quais podemos financiar as exportações brasileiras. Sentimos que, em alguns casos, se formos procurar em nossos contrapartes internacionais, o ambiente regulatório é muito mais permissivo, portanto a agilidade que eles têm para atuar no apoio a exportação dos seus países é maior”, disse Melin.

Perguntado sobre como seria essa flexibilização, o diretor ressaltou que há formas variadas, e citou o sistema de garantias à exportação, que no Brasil envolve diversos órgãos da administração direta. “Cada operação precisa ser aprovada por colegiado de diversos ministérios, procedimento que se por um lado garante exame minucioso [da operação], por outro torna a tramitação mais longa”, avaliou.

Melin mencionou também o leque de instrumentos que as instituições de apoio à exportação de outros países possuem, e que falta no Brasil. “Se uma empresa coreana quer participar de licitação no Brasil, a agência de crédito a exportação coreana oferece a possibilidade de [a empresa] ter título de garantia de performance, o que significa que o banco coreano dá uma garantia bancária de que pagará todas as multas previstas no contrato se a empresa não performar com o desempenho exigido”.

Apesar de frisar que seu comentário foi apenas uma constatação factual e que não consistia em proposta concreta para alteração de regras, Melin voltou a defender papel mais ativo por parte do banco do fomento, uma instrução, segundo ele, dada pelo próprio governo.

“Temos que sair a campo, prospectar mercados potenciais e buscar fomentar novos negócios para o Brasil. É o que estamos empenhados em fazer a partir do Brasil e agora por intermédio de nossos escritórios em Joanesburgo, Montevidéu e Londres”, continuou. Segundo o diretor, com a mesma motivação o governo criou a Associação Brasileira Gestora de Fundos Garantidores e Garantias (ABGF). A agência foi pensada para dar respaldo às necessidade de financiamento de empresas brasileiras em projetos no exterior.

Apesar de não dar detalhes, Melin afirma que há uma série de instrumentos que o Brasil precisa desenvolver. “Mesmo em uma área que é muito competitiva, que é exportação de serviços, o Brasil tem déficit importante”, disse Melin. No ano passado o déficit na balança comercial de serviços foi recorde, de US$ 47,5 bilhões. “O esforço que fazemos para exportar serviços brasileiros é grande, e ainda por cima altamente questionado”, disse o diretor, se referindo às criticas que o banco recebe por apoiar projetos de brasileiras no exterior.

A última polêmica foi a concessão de empréstimo de US$ 682 milhões à Odebrecht para realização de parte das obras do Porto de Mariel, em Cuba. As críticas à operação foram tantas que o presidente do BNDES, Luciano Coutinho, foi ao Senado em 25 de março para prestar esclarecimentos sobre o financiamento e foi convocado para depor na Comissão de Fiscalização Financeira e Controle da Câmara dos Deputados na próxima terça-feira, 27 de maio.

“Quem está investindo na construção do porto de Mariel é o governo cubano, que utilizou recursos próprios para contratar serviços de uma empresa brasileira, que vai levar, com ela, bens de mais de 400 empresas brasileiras. Estamos gerando receitas para o país”, afirmou Melin.

Para ele é preciso convencer a sociedade de que o apoio do BNDES à exportação de bens e serviços de empresas brasileiras é uma agenda positiva. “Cada vez que uma empresa brasileira consegue contrato no exterior existe a preocupação de explicar que exportar e vender tecnologia brasileira para o exterior é uma coisa boa, gera dólares, mercado, empregos no Brasil e [arrecadação de] impostos. Ainda temos que percorrer o caminho de convencimento e demonstração para sociedade de que exportar é bom para o Brasil, isso às vezes não é compreendido”, disse Melin.

Em sua visão confunde-se financiar a venda de um serviço ou bem brasileiro no exterior com investimentos no exterior. “Quem está investindo é o governo do país em questão, ou a empresa brasileira. Estamos sendo apenas os fornecedores”, argumentou. “É muito importante que se entenda que o Brasil tem, em sua balança comercial e de serviços, dois polos em que o esforço na próxima década tem que ser duplicado. Temos que vender muito mais e conquistar muito mais mercados”, concluiu.