O Estado de S. Paulo – 01/10/2013
SabrinaValle / RIO
O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) pode ter participação mais forte na Sete Brasil, empresa criada em 2011 para administrar um portfólio de 29 sondas para o pré-sal. Já a Petrobrás deve ter sua participação diluída no capital da empresa.
Ontem, em assembleia extraordinária de acionistas, a Petrobrás aprovou a renúncia ao direito de preferência à subscrição de debêntures conversíveis em ações a serem emitidas pela Sete Brasil Participações.
A decisão de renunciar ao direito e ter sua participação diluída havia sido tomada pelo conselho de administração da estatal em agosto.
Caso sejam de fato emitidas, as debêntures terão valor estimado de R$ 1,2 bilhão e poderão ser convertidas pelo BNDES em ações em um prazo que vai de seis meses a seis anos. O banco se tornaria, assim, acionista da Sete, ao lado de outras 12 instituições.
O BNDES já é o principal financiador da Sete, que gerencia as sondas por meio de um fundo específico. G banco entrará com US$ 12,75 bilhões dos US$ 25,5 bilhões a serem financiados para as 29 sondas para águas ultraprofundas, 28 das quais com contrato de afretamento para a Petrobrás.
O diretor Financeiro da Petrobrás, Almir Barbassa, que presidiu a assembleia de acionistas, disse que a petroleira pode ser diluída de uma participação total (direta e indireta) de 9,4% para 8,5%, ao tomar a decisão de não acompanhar o aumento de capital.
Investidores. A gestora foi criada a partir de sete investidores: os fundos de pensão Petros (Petrobrás), Previ (Banco do Brasil), Funcef (Caixa Econômica) e Valia (Vale), e os bancos Santander, Bradesco e BTG Pactual. Posteriormente, se juntaram Eletrobrás, EIG Global Energy Partners, a Lakeshore e a Luce Venture Capital e o fundo FI-FGTS.
A Sete não descarta expandir o portfólio além das sondas e gerir também barcos de apoio e plataformas flutuantes, embora não esteja nos planos de curto prazo da companhia.
A empresa foi uma forma encontrada para construir as sondas no Brasil (são as primeiras para águas ultraprofundas a serem feitas no País) sem estourar os limites de endividamento da Petrobrás. As sondas são de propriedade da Sete, que as alugará para a petroleira.
Incorporação. Na assembleia, também foi aprovada a incorporação, pela Petrobrás, de quatro subsidiárias do Comperj e da Sociedade Fluminense de Energia (SFE). A incorporação das empresas criadas para o Comperj tem como objetivo reduzir custose recalibrar o projeto.
Também foi aprovada a venda da Innova, no polo de Triunfo, no Rio Grande do Sul, para a Videolar, do empresário gaúcho Lirio Parisotto, por R$ 870 milhões. A venda integra o plano de desinvestimentos da Petrobrás. Os compradores também incorporam dívidas da petroquímica Innova de aproximadamente 23 milhões. Todos os negócios já haviam sido previamente informados pela Petrobrás, mas precisavam de respaldo dos acionistas.
A companhia ainda poderá realizar outra assembleia extraordinária nos próximos meses para aprovar, por exemplo, venda de ativos.