De Brasília – O BNDES receberá mais uma rodada de empréstimos de até R$ 80 bilhões do Tesouro Nacional em 2010, nas mesmas condições do empréstimo de R$ 100 bilhões disponibilizados este ano. Esse crédito, que será aberto por medida provisória, servirá para o banco aumentar os financiamentos para investimentos em infraestrutura, bens de capital, exportações, inovação e ciência e tecnologia, segundo anunciou ontem o ministro da Fazenda, Guido Mantega.
O banco também recebeu o sinal verde do governo para ampliar em R$ 10 bilhões a R$ 15 bilhões o volume de recursos para o Programa de Sustentação do Investimento (PSI). Ele foi lançado neste ano com R$ 44 bilhões, mas a demanda já chegou a R$ 27 bilhões, disse o presidente do BNDES, Luciano Coutinho.
Cláudio Bernardo Moraes, superintendente da área de operações indiretas do BNDES, calcula que o PSI fechará o ano com uma liberação entre R$ 30 bilhões e R$ 31 bilhões. O banco tem recebido mais de 1,5 mil operações por dia, informou. O anúncio da prorrogação do PSI foi importante para não parar as operações na rede bancária de agentes, destacou Moraes. Ele informou que alguns agentes repassadores já não estavam aceitando mais propostas até 31 de dezembro porque achavam que não teriam tempo de fechar novas liberações até o fim do ano.
Coutinho informou também que o banco disponibilizará uma linha de financiamento de R$ 10 bilhões para garantir a compra de até 20% das ofertas de debêntures de empresas não financeiras. Para essa operação, o prazo médio das emissões tem de ser igual ou superior a cinco anos.
Para Coutinho, o BNDES vai fortalecer o mercado de capitais ajudando empresas que têm classificação de risco adequada a captar recursos com custos mais baixos. Traremos o mercado de capitais para trabalhar conosco, disse.
Os exportadores de máquinas e equipamentos vão poder oferecer aos seus clientes, no exterior, uma linha de financiamento com garantia do BNDES. Chamado Exim Automático, esse crédito dependerá de parcerias com bancos de bom rating na América Latina e na África. Vamos vender máquinas e equipamentos como se fosse no Brasil, disse Coutinho. O BNDES já está negociando com o Itaú na Argentina, e com outras grandes instituições financeiras.
No Exim Automático, o banco assume os riscos político, de crédito e o cambial. O banco no exterior atua como devedor e garantidor e o desembolso é em reais, no Brasil. Coutinho explicou que não há envio de dinheiro a outros países porque o BNDES antecipa os recursos para o fabricante. Está sendo discutida uma comissão para o banco conveniado de 3% ao ano. Lá fora, as empresas que querem comprar máquinas brasileiras não conseguem financiamento com prazo de cinco anos. Vamos competir nas mesmas condições dos nossos concorrentes mundiais.
Ontem foi divulgado também um projeto piloto do BNDES, o Procap, que pretende financiar micro, pequenas e médias empresas dos setores de bens de capital e autopeças por meio de crédito a pessoas físicas que podem ser empregados ou os donos desses empreendimentos. O Procap será limitado a empregados de sociedades anônimas com receita operacional bruta de até R$ 300 milhões por ano. O limite da operação de compra de ações pelos empregados é de 30% do capital social da empresa. As remunerações serão de 1% ao ano para o BNDES e 3% ao ano para o banco credenciado.