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Departamento de transporte e logística do banco avalia que possibilidade de utilização de recursos do FMM para terminais portuários pode representar oportunidade para setor de funding
A perspectiva de um novo ciclo de construção na indústria naval e a possibilidade do uso do Fundo da Marinha Mercante (FMM) também para terminais portuários são alguns dos potenciais identificados pelo Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) no setor. O banco de fomento também tem no radar projetos de arrendamentos portuários, terminais de uso privado (TUPs) e monitora o desenvolvimento da cabotagem.
O chefe do departamento de transporte e logística do BNDES, Tiago Toledo Ferreira, acredita que as expectativas que vêm sendo discutidas para a construção naval deverão ser estimuladas principalmente pela demanda da indústria offshore, tendo desdobramentos para a navegação. Ele disse que existem recursos e investidores interessados e que um dos desafios é a apresentação de bons projetos.
“Há um gatilho forte de investimentos no setor (…). Precisamos de bons projetos, que sejam financiados e façam sentido e tenham bom balanço de risco”, afirmou Ferreira durante o Fórum de Portos – Desafios e Oportunidades nos Portos Brasileiros, promovido pela FGV Transportes e pela Amcham, na última terça-feira (28), no Rio de Janeiro.
Na ocasião, ele destacou a possibilidade de utilização de recursos do FMM também para terminais portuários, concedida em novembro do ano passado. “Está em regulamentação ainda. Esperamos novidades em breve. Mas é uma grande possibilidade para o setor de funding”, comentou Ferreira.
O chefe do departamento de transporte e logística do BNDES, também destacou os novos arrendamentos pipeline do Programa de Parcerias e Investimentos (PPI), totalizando 34 projetos e cerca de R$ 30 bilhões de investimentos previstos. Segundo Ferreira, a carteira do PPI é fundamental para mobilizar recursos e atrair investidores. Ele também chamou a atenção para autorizações para o potencial de terminais de uso privado. “Acreditamos muito nos TUPs. Esse será um grande driver de crescimento. As projeções 2030-2040 apontam para grandes investimentos”, projetou.
O banco vê como desafios a estruturação de bons projetos, com equacionamento de riscos e financiabilidade, bem como a conversão de autorizações em investimento. Ferreira citou um estudo da Antaq que revela que apenas 13% dos investimentos em 94 autorizações foram realizados. Outro desafio é a regulamentação do BR do Mar, com normativos para plena aplicação do programa.
A carteira do banco trabalha com embarcações, portos e hidrovias. Ferreira citou algumas operações relacionadas a armadores de apoio portuário para construção de rebocadores azimutais de maior capacidade, além de financiamento para projetos de navegação interior. “Apostamos muito no crescimento do Arco Norte”, destacou. Ele também contou que o BNDES vem dialogando junto ao governo de São Paulo sobre a ampliação da capacidade de movimentação de cargas esperado para a hidrovia Tietê-Paraná.
Fonte: Revista Portos e Navios