A disparada dos preços do petróleo continuou a abalar os mercados em todo o mundo, ontem. Refletindo o temor dos investidores de que uma intervenção militar na Síria incendeie todo o Oriente Médio, o barril do óleo tipo Brent para entrega em outubro foi negociado em Londres a US$ 116,31, com alta de 1,17%. Foi a cotação a mais elevada desde 19 de fevereiro, e a expectativa é de que os preços continuem subindo. O nervosismo contaminou também os negócios no Brasil, onde o Ibovespa, principal índice da Bolsa de Valores de São Paulo, recuou 0,45%.
A piora ocorreu apesar de o dólar ter registrado queda de 0,86%, a segunda consecutiva, fechando a R$ 2,35 pela primeira vez em duas semanas em consequência da intervenção do Banco Central no mercado. Nas bolsas europeias, a queda foi generalizada.Em Milão, houve recuo de 0,98% e em Frankfurt, de 1,03%. Em Nova York, o Índice Dow Jones consegiu subir 0,33%. Além do petróleo, o pregão paulista foi fortemente afetado pelo tombo de 17% nas ações da OGX, petroleira do empresário Eike Batista que enfrenta situação financeira delicada.
Os mais pessimistas acreditam que o barril de petróleo pode chegar a US$ 150, maior nível da história, se o conflito com a Síria afetar os países vizinhos. “A tensão do mercado decorre da possibilidade de corte no fornecimento de grandes produtores, como Iraque, Irí e Arábia Saudita”, explicou o economista Wellington Ramos, da Austin Rating.
O Ministério da Fazenda evitou comentar a alta do petróleo. Para especialistas, o governo não tem mais como adiar um reajuste no preço dos combustíveis, mesmo diante do risco de pressionar a inflação. “Certamente, será preciso dar algum aumento. De um lado, o dólar está subindo e com tendência de piora. De outro, o petróleo pode se elevar ainda mais”, disse o economista-chefe da MB Associados, Sérgio Vale.
Maurício Canêdo Pinheiro, do Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV/IBRE), lembra que a Petrobras tem um plano ambicioso de investimentos e precisa elevar a receita da venda de combustíveis, hoje deficitária. “Qualquer aumento do petróleo que não tiver repasse vai piorar ainda mais a situação e o desconforto da estatal”, completou. O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, admitiu que o preço dos combustíveis está defasado, mas afirmou que “não se cogita, dentro do governo, um aumento da gasolina”.
Fuga de capitais
Além do petróleo e do dólar, a fuga dos investidores também preocupa o governo. Entre 19 e 23 deste mês, o volume de remessas de dólares para o exterior superou a entrada em US$ 2,47 bilhões. Foi a maior perda semanal de 2013, atrás apenas do volume computado entre 8 e 12 de abril (US$ 2,94 bilhões). No acumulado do ano, o fluxo de recursos está negativo em US$ 2,8 bilhões. O pior resultado mensal foi registrado em junho, quando a saída foi de US$ 2,6 bilhões. (Correio Braziliense)