Na bomba. Alta do dólar aumentou defasagem dos preços da gasolina e do diesel no país.
Dentro de seu programa de desinvestimento e em busca de mais recursos para reforçar seu caixa, a Petrobras vendeu participações em cinco blocos na Bacia Potiguar para a petrolífera britânica BP. O anúncio foi feito ontem pela BP. As concessões para exploração e produção estão localizadas em águas profundas na margem equatorial brasileira, no Nordeste. A notícia foi antecipada pelo colunista do GLOBO Ancelmo Gois em sua coluna no último domingo. Os valores do negócio não foram divulgados, e a Petrobras não quis comentar o assunto. A estatal acumula perda estimada em R$ 2,2 bilhões este ano, por vender combustíveis a preços inferiores aos de sua importação.
A efetivação do negócio com a BP depende ainda da aprovação da Agência Nacional do Petróleo (ANP). A BP Energy do Brasil informou que assumirá 30% de participação nos blocos POT-M-663 e POT-M-760 (contrato BM-POT-16) e 40% nos blocos POT-M-665, POT-M-853 e POT-M-855 (contrato BM-POT-17). Juntos, os cinco blocos têm uma área total de 3.837 quilômetros quadrados. Todas as petrolíferas têm grande expectativa em relação aos blocos na margem equatorial brasileira devido à semelhança geológica com a costa da África, onde vêm ocorrendo descobertas importantes.
Petroleira tem 27 blocos
A BP está no Brasil desde 1957, mas iniciou suas atividades exploratórias no Brasil em 2011 com a compra de dez blocos da americana Devon. Após a aprovação da parceria e a assinatura dos contratos de concessão dos oito blocos adquiridos na 11ª Rodada da ANP, a BP deterá concessões em 27 blocos no Brasil, sendo operadora em oito deles. A Petrobras também terá participação em 22 desses blocos, operando em 12 deles, enquanto outros seis serão operados pela Total e quatro, pela BP. A companhia britânica atua também nas áreas de produção de etanol, lubrificantes e combustível de aviação.
A valorização do dólar frente ao real, além do impacto negativo nas contas da Petrobras, que tem quase 80% de sua dívida na moeda americana, vem aumentando a defasagem dos preços da gasolina e do óleo diesel em relação aos preços praticados no mercado internacional – a perda estimada chega a R$ 2,2 bilhões em sua receita, de janeiro a maio.
Do total, R$ 575 milhões são referentes à importação de gasolina e R$ 1,6 bilhão, de óleo diesel. O cálculo foi feito pelo Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE), considerando os gastos com a importação, que foram superiores à receita obtida com a venda de gasolina e óleo diesel no país.
A alta do dólar praticamente eliminou a ligeira recuperação nos preços dos dois produtos, que a estatal tinha conseguido com o reajuste obtido no dia 30 de janeiro e, depois, no dia 6 de março só para o diesel. A Petrobras também não quis comentar o assunto.
Segundo cálculos do CBIE, com base nos dados disponíveis do último dia 9, a gasolina vendida pela Petrobras em suas refinarias, sem impostos, está 25,3% mais barata em relação ao produto comercializado no mercado internacional. Já o óleo diesel está sendo vendido pela companhia cerca de 21,7% mais barato do que no exterior.
Sem reajustes em 2014
Com o governo tentando reduzir a escalada da inflação no país, especialistas do setor não acreditam que este ano a Petrobras conseguirá algum novo reajuste de preços dos dois combustíveis, que representam cerca de 60% de sua receita total. Mais difícil ainda, segundo esses especialistas, será conseguir aumento de preços em 2014, ano de eleições. Ou seja, só resta à Petrobras torcer para o dólar cair e se estabilizar. A estatal busca ter recursos para ter uma participação de peso no leilão do pré-sal (Libra) em outubro.