Petroleira planeja perfurar o poço pioneiro de Pau Brasil, no pré-sal da Bacia de Santos, no primeiro trimestre de 2024, e prevê dois poços de appraisal em Alto de Cabo Frio Central nos próximos doze meses
PorFelipe Salgado Em 12/06/2023

Angelica Ruiz assumiu o comando da bp no Brasil há apenas três meses, mas já tem muito trabalho pela frente. A executiva, que acumula o cargo de VP da América Latina, tem o desafio de liderar a operação de uma companhia que, presente no país desde 1957, atua nas áreas de E&P, biocombustíveis, lubrificantes, energia solar, tancagem e logística, distribuição de QAV e bunker, e geração e comercialização de energia.
Logo de início, Ruiz terá o desafio de conduzir a campanha exploratória de Pau Brasil, no pré-sal da Bacia de Santos, a grande aposta da petroleira no Brasil. Com prazo até dezembro de 2025 para executar o Programa Exploratório Mínimo (PEM), a bp planeja perfurar o poço pioneiro do ativo no primeiro trimestre de 2024. No momento, a executiva disse que o processo de contratação da sonda que será mobilizada está em curso.
O plano original da bp era perfurar na área de Pau Brasil entre 2021 e 2022 – no entanto, a pandemia de Covid-19 fez com que o cronograma fosse adiado duas vezes. O programa contemplava ainda pelo menos outros dois poços exploratórios, com possibilidade de um terceiro. O bloco é operado pela petroleira inglesa com 50% de participação, em parceria com a CNOOC Petroleum (30%) e a Ecopetrol (20%).
Outra grande aposta da empresa é o bloco de Alto de Cabo Frio Central, no pré-sal de Campos, onde detém parceria com a Petrobras, operadora do ativo. Após ter descoberto óleo e gás na formação denominada Barra Velha e ter concluído o teste de formação do poço pioneiro, o consórcio pretende iniciar a perfuração de dois poços de appraisal para dimensionar as reservas do bloco.
“Estamos otimistas, mas bastante cautelosos”, disse a executiva. De acordo com o seu relato, os próximos passos dependem da aprovação dos investimentos para o ativo, operado pela estatal brasileira.
Ainda no pré-sal, a companhia possui participação de 30% no consórcio do bloco Dois Irmãos, no pré-sal da Bacia de Campos, junto com a Petrobras (45%) e a Equinor (25%), e no bloco Bumerangue, no pré-sal de Santos, adquirido na primeira oferta permanente de áreas de partilha, em 2022. O primeiro, arrematado na 4ª Rodada de Partilha, realizada em 2018, teve o poço pioneiro perfurado pela sonda Ocean Courage em 2022.
Apesar de ter jogado a toalha na Foz do Amazonas, a bp possui três blocos em parceria com a Petrobras na Bacia do Barreirinhas, cujo prazo está suspenso pela ANP. Indagada sobre o imbróglio acerca da Margem Equatorial, a executiva foi categórica em dizer que “o governo brasileiro deve ter autonomia para decidir sobre como pretende lidar com as questões ambientais e sociais relacionadas à Margem Equatorial”.
Ao todo, a companhia possui 10 blocos em três bacias sedimentares brasileiras – BM-BAR-346, BM-BAR-3 e BAR-M-175 (BM-BAR-5) na Bacia do Barreirinhas; C-M-755, C-M-793 e C-M-477 na Bacia de Campos; Dois Irmãos e Alto de Cabo Frio Central, no pré-sal da Bacia de Campos; S-M-1500, na Bacia de Santos. Já o bloco de Bumerangue terá o contrato assinado em breve com a ANP.
Oportunidades na transição energética

De acordo com Ruiz, o Brasil possui posição privilegiada na estratégia global da bp. Até 2050, ela prevê que haverá um forte aumento da demanda por energia no país. Além disso, a executiva observa que a região reúne recursos indispensáveis para exercer papel-chave no processo de transição energética nos próximos dez anos.
A country manager destaca a vocação que o país possui para a produzir hidrogênio verde e biocombustíveis. No que se refere à bioenergia, a executiva revelou que, após tentativas malsucedidas de vender as 11 usinas da BP Bunge, a companhia avalia fazer revamp das plantas para produzir biocombustíveis de segunda geração.
“O Brasil é um dos países que possuem as melhores condições competitivas para a produção de H2V no Brasil”, afirmou a executiva. Ela ressaltou que vê com bons olhos o consumo doméstico do H2V produzido no Brasil, já que o desenvolvimento de tecnologias de transporte para este vetor energético ainda possui inúmeros desafios. “Estamos na fase conceitual de mapeamento de oportunidades [do H2V no Brasil]”, acrescentou.
Na área de renováveis, o grupo mantém planos de investimento para o segmento de energia solar, com a construção do Complexo Solar Milagres da Lightsource bp, composto por cinco usinas fotovoltaicas localizadas no município de Abaiara, no Ceará. O projeto terá capacidade de geração de 210 MWp.
Há planos também direcionados ao segmento de biogás. No final de 2022, a bp adquiriu a Archaea Energy por US$ 4,1 bilhões.
Outras operações
A bp mantém as térmicas GNA I, em operação no Porto do Açu, em São João da Barra, no Rio de Janeiro, e GNA II. Em abril, a segunda unidade do parque termelétrico recebeu a primeira das três turbinas. O parque terá capacidade de geração de 2 GW.
Já na área de lubrificantes, a Castrol, subsidiária da bp que opera em 25 países distribuídos por cinco continentes, enxerga o Brasil como o mercado com maior perspectiva de crescimento global dentro do seu portfólio. O país abriga a única fábrica da companhia instalada na América Latina. Localizada no munícipio de Franco da Rocha, em São Paulo, a planta dedica-se à produção de fluidos hidráulicos de controle submarino, o Transaqua, seu principal produto. Com capacidade de produção superior a 300 mil litros mensais, a unidade abastece o mercado brasileiro, responsável por absorver 20% da demanda mundial do Transaqua.
Fonte: Revista Brasil Energia