A primeira etapa de exploração do FZA-M-59, operado pela BP, na Bacia da Foz do Amazonas vai demandar de dois a cinco poços, quatro embarcações de apoio e uma sonda, ainda a ser definida. A programação inicial da operadora contava com a conclusão das duas primeiras perfurações entre 2016 e 2017. A petroleira possui 70% do contrato, em parceria com a Petrobras, com 30%.
A companhia informou à Brasil Energia Petróleo que ainda está avaliando a sonda a ser utilizada para perfuração dos poços. Inicialmente, o plano era utilizar a sonda DS-4, da Ensco, (ex-Deep Ocean Clarion) na Foz do Amazonas, mas a BP mobilizou a unidade que atuava no Brasil para o Golfo do México e antecipou o fim do contrato com a armadora.
Nesta quinta-feira (16/7), o Ibama divulgou a documentação relativa ao licenciamento ambiental da campanha. De acordo com os documentos, serão perfurados os prospectos batizados de Manga e Maracujá, atendendo ao programa exploratório mínimo (PEM) firmado para o FZA-M-59. Posteriormente, podem ser contratados até três poços adicionais (Marolo, Murmurú e Mangaba), a depender dos resultados iniciais.
Também não foi detalhada a frota de apoio, que deve contar com três embarcações de apoio logístico (PSV ou AHTS) e uma quarta unidade dedicada à resposta em caso de vazamento.
Um dos desafios da Foz do Amazonas é a logística, devido as grandes distâncias da costa e da infraestrutura limitada em terra. O FZA-M-59 fica a 159 km da costa do Amapá, porém a rota de suprimentos estudada prevê viagens de 815 km entre a sonda e Porto de Tapaní, em Belém, no estado vizinho do Pará. O suporte aéreo, por sua vez, pode ficar em Oiapoque (AP), 230 km da área de operação.
O mapeamento do FZA-M-59 foi feito por meio de dados sísmicos multicliente 2D e 3D adquiridos em duas campanhas da Spectrum, concluídas entre 2012 e 2015. O bloco da BP é coberto por 514 km de dados 2D e 766 km², 3D.
Retorno à Foz
Os poços no FZA-M-59 serão os primeiros no setor de águas profundas onde o bloco está delimitado – região no extremo norte do país, fronteira com a Guiana Francesa, em lâmina d’água 2.400 metros a 3.400 metros.
A partir da década de 1960, contudo, várias campanhas em outros setores na região, em especial, águas rasas, totalizaram 95 poços na região, operados por Petrobras (91), pela própria BP (3) e Esso (1), mas que resultara apenas em descobertas subcomerciais. A BP conduziu a exploração dos blocos BFZ-2 e BM-FZA-1, entre 1999 e 2005.