O Brasil continua entre os países que mais atraem investimentos diretos estrangeiros (IDE), mesmo com o baixo crescimento econômico dos últimos dois anos. De acordo com o World Investment Report (Relatório Mundial de Investimentos), elaborado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (Unctad), os ingressos de IDEs no Brasil atingiram US$ 65,3 bilhões no ano passado. Embora 2% menor que os US$ 67 bilhões que entraram no país em 2011, o fluxo de IDE em 2012 fez o Brasil subir da quinta para a quarta posição no ranking dos principais polos de atração de investimentos estrangeiros no mundo – atrás apenas dos Estados Unidos, líder com ingressos de US$ 167,6 bilhões, da China (US$ 121,1 bilhões) e de Hong Kong (US$ 74,6%).
Entre os países que formam os Brics (grupo que reúne as maiores economias emergentes), a Rússia aparece na 9ª posição, com US$ 51 bilhões, e a Índia, em 15ª, com ingressos de US$ 26 bilhões.
O relatório da Unctad mostra que, em 2012, depois de três anos de recuperação, o fluxo total de IDEs no mundo caiu para US$ 1,35 trilhão, um tombo de 18,2% em relação ao US$ 1,65 trilhão de 2011. As maiores perdas no ingresso de IDE ocorreram entre as economias desenvolvidas. Os fluxos para a Europa encolheram 42% ante 2011. A América do Norte recebeu 21% menos, enquanto nas economias em desenvolvimento, entre as quais se inclui o Brasil, a queda foi de 4%.
– A apatia das economias dos países desenvolvidos, especialmente da Europa Central, fez com que, pela primeira vez, os países em desenvolvimento ficassem com mais da metade dos IDEs em 2012 – observou Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e Globalização (Sobeet), que divulga o estudo da Unctad no Brasil.
China: 3º maior investidor global
Como a queda nos recursos que recebeu foi menor que a do fluxo total, o Brasil ganhou participação no bolo global de IDE. A parcela do país passou de 4% para 4,8%. Contudo, o Brasil destoou de seus pares emergentes como fonte de investimentos externos. Em vez de investir lá fora, as empresas brasileiras repatriaram US$ 3 bilhões em 2012.
A China passou da sexta para a terceira posição entre os maiores investidores no exterior em 2012, com US$ 84 bilhões. Atrás dos Estados Unidos (US$ 329 bilhões) e do Japão (US$ 123 bilhões). A Rússia aparece na oitava posição, com US$ 51 bilhões, e o Chile foi o 17º, com US$ 21 bilhões.
– Como fonte de IDE, o Brasil está muito aquém dos seus pares em desenvolvimento – disse Lima.
Pesquisa junto a 159 empresas transnacionais que acompanha o estudo mostra, porém, que o Brasil segue como o quinto destino preferencial de IDE nos próximos três anos, atrás de Indonésia, Índia, Estados Unidos e China. Das 21 economias com maior potencial para a recepção de IDE, aponta a Unctad, 13 são emergentes.