Estudo da Empresa de Pesquisa Energética (EPE) elenca as rodadas previstas para acontecer a partir de 2025. A Guiana é o destaque, mas também estão planejadas licitações em Angola, Estados Unidos, Líbia e Reino Unido.

O Brasil vai concorrer com pelo menos outros seis países pela atração de investidores para os seus leilões de petróleo e gás a partir do ano que vem. A rodada mais cobiçada tende a ser a da Guiana, mas as petrolíferas também vão ter oportunidade de adquirir áreas em Angola, Estados Unidos, Líbia e Reino Unido, segundo estudo recente da Empresa de Pesquisa Energética (EPE).
“O Brasil tem destaque histórico na produção em campos offshore, que continuam em oferta permanente. Alguns desses projetos podem apresentar concorrência pelo investimento com os ofertados em demais países”, avalia a EPE.
Angola vai oferecer 11 blocos nas bacias do Kwanza e Benguela. Os Estados Unidos têm três rodadas planejadas para o período de 2025 a 2029. A Líbia vai retornar ao mercado para realizar a primeira licitação desde 2007, com a oferta de blocos nas bacias de Sirte, Murzuq e Ghadames. O Reino Unido vai realizar sua 33ª Rodada, na qual vão ser concedidos os cerca de 500 blocos restantes do leilão de 2022. Enquanto a Guiana deve leiloar novas áreas nos blocos Payara e Yellotail.
“Há oportunidades de cooperações futuras entre Brasil, Guiana e Suriname, no setor de exploração e produção de petróleo”, afirmou a EPE, em seu estudo. Os presidentes dos três países se encontraram em fevereiro deste ano para tratar do assunto. O governo brasileiro disse ter recebido do presidente da Guiana, Irfaan Ali, um pedido para que a Petrobras se envolva com a exploração de óleo no país.
A estatal brasileira já havia informado que vai buscar na Guiana, Suriname e em países da África uma oportunidade para expandir suas reservas enquanto espera por uma decisão do Ibama sobre o licenciamento da Margem Equatorial e pelos resultados exploratórios na Bacia de Pelotas. Essas são as duas grandes apostas de novas fronteiras. Em fevereiro deste ano, a empresa adquiriu participações em três blocos em São Tomé e Príncipe.
Retomada
No Brasil, o diretor-geral da ANP, Rodolfo Saboia, informou que o governo vai realizar pelo menos um leilão de oferta permanente em 2025. A última licitação aconteceu em dezembro do ano passado.
Mas, ainda que as concorrências sejam retomadas, daqui para a frente elas vão acontecer sob novas regras, mais restritivas do ponto de vista socioambiental e mais exigente quanto à aquisição de bens e serviços nacionais. As mudanças estão previstas no novo edital de oferta permanente, que está em consulta pública.
A preocupação com o meio ambiente e as práticas de governança também estão no radar das grandes petrolíferas, assim como a preferência por áreas de rápida execução e alto retorno. O que elas buscam é justamente encontrar reservas que emitam menos CO2, como são as do pré-sal brasileiro.
Cenário atual
O potencial de investimento global na exploração de óleo e gás, neste ano, é de US$ 125 bilhões, demonstra o estudo da EPE. Esse valor é fruto do crescimento do número de tomadas de decisões neste ano (30), em comparação com as do ano passado (23), passado um período de atraso em projetos. A maior parte dos investimentos acontece no Oriente Médio.
No Suriname, a TotalEnergies deve decidir se vai colocar US$ 9 bilhões no Bloco 58, o mais promissor do país, onde foi encontrado um óleo leve (34º API), com menos enxofre do que o da média da região e de fácil conversão para combustíveis de alto valor agregado e baixa emissão de carbono.
O ano de 2024 ainda deve ser marcado pela realização de rodadas de licitação de áreas em quatro países – Bangladesh (em setembro), Líbano (em julho), Tanzânia (em dezembro) e Trinidade e Tobago (sem data definida ainda).
Fonte: Revista Brasil Energia