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Clippings - 14/07/23

Brasil concorre com sete países pelo descomissionamento da Petrobras

A indústria naval brasileira concorre com sete países nos processos da Petrobras de contratação do serviço de descomissionamento das suas plataformas e infraestruturas associadas. Apenas os Estados Unidos, Noruega, Irlanda, Dinamarca, Holanda, Itália e Lituânia têm capacidade de atender às exigências socioambientais e de governança estatal, previstas em edital. A tendência, portanto, é que os contratos fiquem no Brasil, segundo o diretor de Engenharia, Tecnologia e Inovação da Petrobras, Carlos Travassos.

“Esses requisitos, se a gente olhar friamente, favorecem a indústria local”, afirmou o executivo, em evento promovido pela Firjan. Ele complementou que, a favor da indústria nacional, além das exigências ESG definidas pela companhia, ainda pesam o preço do frete, que seria para transportar as plataformas por oceanos, e outras limitações, inclusive legais. Travassos citou o exemplo dos países asiáticos Bangladesh e Índia, onde, de acordo com ele, a atividade é feita de forma insalubre para os trabalhadores e agressiva para o meio ambiente.

“Não vai ser isso que vai acontecer no Brasil. A Petrobras vai acompanhar todo o processo para garantir que o desmantelamento seja feito de uma forma responsável”, disse.

Ainda assim, em sua opinião, as licitações da empresa para escolher os estaleiros e fornecedores envolvidos no descomissionamento das suas unidades produtivas não vão resolver o problema de escassez de contratos vivido pela indústria naval brasileira. Para Travassos, essa é apenas uma oportunidade complementar. A avaliação do diretor da estatal é de que a real vocação da indústria nacional está no segmento de topsides para plataformas, principalmente de módulos.

Além disso, ele destaca os ganhos que o descomissionamento vai gerar para o setor siderúrgico, que ficará com o aço, frente à atual necessidade do país de importar resíduos metálicos.

Ao todo, a Petrobras planeja investir US$ 9,8 bilhões em descomissionamento, incluindo o abandono de poços, no período de 2023 a 2027. Isso inclui 26 plataformas, 360 poços marítimos e 2,5 km de risers. De 2028 a 2030, serão mais 26 unidades produtivas. Para este ano, ainda estão previstos os desmantelamentos de duas FPSOs e uma plataforma submersível. Um desafio que a empresa já está enfrentando, segundo Travassos, é no abandono de poços.

Durante o evento, o diretor da Petrobras disse ainda acreditar que os estaleiros do Rio de Janeiro vão ficar com parte dos contratos. “O Rio de Janeiro ficou de fora do primeiro leilão, mas não falta oportunidade para esse negócio”, afirmou.

A avaliação do secretário estadual de Energia e Economia do Mar, Hugo Leal, é de que as empresas do Rio não estavam preparadas para participar do leilão de descomissionamento da P-32, vencido pela Ecovix, administradora do Estaleiro Rio Grande, ao lado da Gerdau. A obra será feita em Rio Grande (RS) e a sucata metálica será aproveitada na produção de aço nas usinas da siderúrgica em Charqueadas (RS) e Sapucaia do Sul (RS). A projeção é de que as obras sejam concluídas em um ano e que gerem 250 postos de trabalho.

Fonte: Revista Brasil Energia