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Clippings - 20/05/10

Brasil deve atrair mais investimento chinês em energia

A aquisição de ativos de transmissão de energia da Plena Transmissoras pela chinesa State Grid Corporation foi bem recebida por analistas e especialistas do setor elétrico. Para eles, além de garantir o aumento da presença estrangeira, a operação evita um possível aumento de participação estatal brasileira no setor.

Estatal da China compra controle de sete empresas de energia no Brasil

A Plena Transmissoras – antes controlada pelas espanholas Elecnor, Isolux e Cobra – teve sete de suas 12 empresas no Brasil vendidas aos chineses, em um negócio avaliado em R$ 3,1 bilhões, incluindo dívidas.

As empresas da Plena integralmente adquiridas pela State Grid foram Serra da Mesa, Poços de Caldas, Ribeirão Preto, Serra Paracatu e Itumbiara.

Outras duas – Expansión Transmissão de Energia Elétrica e Expansión Transmissão Itumbiara Marimbondo – tiveram, cada uma, 75% do seu capital vendido ao grupo estatal chinês.

Para o diretor-executivo da Associação Brasileira das Transmissoras de Energia (Abrate), Cesar de Barros Pinto, é lógico esperar a presença de chineses nos próximos leilões do setor.

– O sucesso do modelo do setor elétrico brasileiro pode ser medido pela atratividade que apresenta para o investidor privado. O investidor estrangeiro, privado ou estatal, será sempre bem recebido, pois sinaliza a consolidação do modelo – disse ele em nota.

O analista Ricardo Corrêa, da Ativa Corretora, afirmou que já era esperado que uma empresa chinesa entrasse no setor brasileiro de energia, onde a participação do Estado ainda é muito grande. Na visão do analista, o segmento de transmissão de energia deverá continuar sendo o principal foco dos chineses no setor.

– Geração é complicado, porque já existem muitos grupos tradicionais, estrangeiros ou não. Distribuição é muito difícil, mas transmissão é algo mais fácil de administrar: não é necessário tradição, apenas volume – observou.

Segundo o consultor de energia Silvio Areco, da Andrade & Canellas, chama a atenção dos investidores estrangeiros o fato de a regulação do setor de energia no Brasil ser bem definida e a demanda, crescente.

– O Brasil entrou no cardápio dos investimentos chineses na indústria de base, e algumas vezes a troca de posições no setor traz um grande volume de investimentos – disse.

O consultor da Andrade & Canellas aposta que os chineses entrem com força também nos futuros leilões de empreendimentos de geração, e não apenas de transmissão de energia.

– A avaliação do risco que deve ter sido feita por eles inclui todos os segmentos de energia elétrica, e o fato de eles serem uma estatal não é problema: a Cemig também é e não deixa de ser agressiva por isso – comentou Areco.

O analista Filipe Lopes, da Ágora Corretora, destacou a experiência que a State Grid possui em transmissão da China, país mais extenso que o Brasil.

– A aquisição mostra que não o governo brasileiro não é o único a colocar dinheiro no setor no Brasil – acrescentou Lopes.

Outro exemplo de forte presença estrangeira no segmento de transmissão de energia no Brasil é a Transmissão Paulista (Cteep), ex-estatal controlada pela ISA, com negócios também na Colômbia, Peru, Bolívia, Equador e países da América Central.

Antes de a estatal chinesa ter arrebatado os ativos da Plena, acreditava-se na possibilidade de a Cemig comprar as linhas de transmissão.

– A Cemig costuma pagar caro por suas aquisições. Isso significa que a State Grid ofereceu um valor ainda maior pela Plena – afirmou o analista da Ágora.

No ano passado, a Cemig adquiriu a transmissora Terna, que era de controle italiano, por R$ 2,33 bilhões.

A compra dos ativos da Plena pela estatal chinesa ainda está sujeita à aprovação da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel). De acordo com a Aneel, o processo de transferência de controle será analisado pela diretoria colegiada em uma reunião em data ainda não definida.