O acordo assinado entre a EPE e a Innovation Norway pretende desenvolver projetos conjuntos, discutir projetos e formas de financiamento, entre outros aspectos

O Brasil e a Noruega assinaram, na quinta-feira (6), um acordo de cooperação que visa desenvolver projetos conjuntos, discutir projetos e formas de financiamento para pesquisa em todos os campos da transição energética, em especial a Captura e o Armazenamento de Carbono (CCS), segundo comunicado divulgado pela CCS Brasil nesta sexta-feira (7).
O acordo foi assinado entre a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e a Innovation Norway, uma agência norueguesa de fomento à inovação e exportação. A ação ocorreu durante a CCS Tech Summit 2024, que teve sede no Rio de Janeiro e promoção pela CCS Brasil em parceria com a Interlink Exhibitions.
A cônsul-geral da Noruega no Brasil, Mette Tangen, afirmou que a parceria inclui o compartilhamento de conhecimentos regulatórios, ambientais, sociais e comerciais, e a condução de inovação tecnológica e a redução de custos de materiais.
Na ocasião, o diretor da Innovation Norway, Thomas Granli, descreveu a assinatura do memorando como um marco significativo na colaboração entre os países para enfrentar os desafios da mudança climática e promover a sustentabilidade no setor de energias.
“Temos como objetivo a viabilização de um estudo para avaliar o potencial brasileiro para a formação de hubs de CCUS. Vamos também promover a pesquisa e o desenvolvimento de soluções que contribuam para o crescimento da renda e para a geração de empregos de brasileiros”, disse Granli no comunicado.
Discussões sobre desafios do CCS e o potencial brasileiro
No evento, outras personalidades executivas discutiram sobre os desafios do CCS e o potencial brasileiro. O presidente e CEO da Svante Technologies Inc, Claude Letourneau, alertou que a emergência climática é real e, sem que os projetos comerciais de CCS sejam imediatamente implementados em grande escala, não cumpriremos as metas do Acordo de Paris.
Letouneau ressaltou que o Brasil é visto como destino da próxima fábrica da empresa. Atualmente, a Svante está investindo US$ 145 milhões em uma fábrica de filtros de captura de carbono em Vancouver (Canadá), com capacidade de equipar dez centrais de captura de carbono, cada uma com capacidade para 1 milhão de toneladas de CO2 por ano. A expectativa é estar operacional até 2030.
A diretora da CCS Brasil e Diretora da Manacá CCS, Nathália Weber, ressaltou ainda que o mundo já sabe que o Brasil pode ser um grande player nas emissões líquidas negativas, nas tecnologias de remoção de carbono por BECCS (bioenergia com CCS), em especial. Já o presidente da Associação Brasileira de Hidrogênio (ABH2), Paulo Emílio Miranda, enfatizou a posição única do país como produtor autossuficiente de hidrogênio para uso doméstico e futuro exportador.
Para ajudar a desenvolver o potencial do Brasil em energia renovável de fontes hidrelétricas, eólicas e solares, o gerente setorial do Departamento de Gás, Petróleo e Navegação do BNDES, André Pompeo, relatou que a instituição está engajada em apoiar esses tipos de projetos.
A CCS Brasil é uma associação que visa estimular as atividades ligadas à Captura e Armazenamento de Carbono no país. Como objetivos, a entidade busca promover a cooperação entre todos os entes que podem participar dessa cadeia produtiva e que incluem empresas financiadoras, indústrias, governo, universidades e a sociedade, visando o desenvolvimento desse mercado.
Fonte: Revista Brasil Energia