O presidente Luiz Inácio Lula da Silva confirmou ontem que o grupo indiano ArcelorMittal investirá, em parceria com a Vale, na construção da Companhia Siderúrgica de Ubu (CSU), no Espírito Santo. Tivemos essa boa notícia, disse Lula ao Valor. A informação foi dada ao presidente pelo presidente do grupo, Lakshmi Mittal, na tarde de quarta-feira.
Ontem, o vice-presidente de assuntos internacionais da ArcelorMittal, Roland Verstappen, disse que o Brasil é, nos mercados emergentes, a prioridade número 1 dos planos de investimento do grupo, que é o maior fabricante de aço do mundo.
A Vale reagiu de forma cautelosa à informação da associação com o grupo indiano. O presidente da empresa, Roger Agnelli, almoçou na quarta-feira com Lakshmi Mittal, em Londres.
Agnelli disse que, no almoço, os dois conversaram sobre a participação da ArcelorMittal no projeto siderúrgico do Espírito Santo. Estamos discutindo os detalhes finais para o acordo em torno do projeto, afirmou o executivo brasileiro.
Na conversa com o presidente Lula, Mittal queixou-se da taxa de câmbio brasileira e das dificuldades de implantação de projetos de investimento. O empresário citou, como contraponto, a celeridade da China. Lula reagiu, lembrando que o Brasil tem câmbio flutuante. E aproveitou para enumerar diferenças institucionais com aquele país asiático.
O Brasil tem democracia, Congresso, Tribunal de Contas da União, poder Judiciário, disse o presidente, segundo um participante do encontro.
Em entrevista, Agnelli, que nos últimos meses esteve envolvido em polêmica com o presidente Lula por causa da suposta relutância da Vale em investir na produção de aço, disse que a companhia está apoiando fortemente o crescimento da siderurgia brasileira. O projeto com a Thyssen-Krupp termina em meados de 2010; o do Espírito Santo está avançado na elaboração do projeto de engenharia, há parceiros interessados; a obra de terraplanagem da usina do Ceará começa em dezembro; estamos fazendo o projeto básico da usina do Pará, então, está tudo andando com tranquilidade, informou.
Agnelli deixou claro que o objetivo da Vale é criar demanda no Brasil para o minério de ferro produzido pela empresa, mas sempre em parceria com outras companhias siderúrgicas. A Vale tem a posição dela de sempre apoiar parceiros a investir mais no Brasil, a aumentar a produção de aço no país. Entendemos que nos próximos anos a demanda por aço deve crescer fortemente, vai ter um mercado interno bastante forte, também na América Latina, mas sempre em conjunto com os parceiros porque isso é fundamental, ponderou.