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Clippings - 05/03/10

Brasil entra na onda de consolidação do setor

Petróleo: Negócios da Devon colocados à venda no país atraem chineses, russos, americanos e australianos.

A onda de consolidações no setor de petróleo e gás ao redor do mundo não passou ao largo do mercado brasileiro, pelo contrário. Aqui, os ativos mais valiosos à venda no momento são os da americana Devon, maior empresa independente de petróleo dos Estados Unidos e segunda estrangeira a produzir petróleo no Brasil como operadora, depois da Shell. A El Paso é outra que está saindo do Brasil, o que é amplamente conhecido no mercado. Oficialmente a empresa nega, atribuindo a rumores as informações sobre a venda, que já atraiu atenção de empresas como a mineradora Vale, como apurou o Valor. Bruce Connery, vice-presidente de relações com investidores da El Paso diz que a empresa anunciou a venda de gasodutos no México por US$ 300 milhões e que essa operação atende à meta de vendas de ativos para 2010. Qualquer outra venda potencial de ativos nos Estados Unidos ou Brasil são estritamente rumores neste momento, afirma Connery.

Entre as que andam em busca de ativos estão a australiana BHP, a russa Gazprom e a americana ConocoPhillips. Já a Devon comunicou em novembro a venda de ativos exploratórios no Golfo do México, Brasil e África, entre outros, para se concentrar em áreas de gás nos Estados Unidos e Canadá. A empresa informou que pretende obter até US$ 7,5 bilhões. No Brasil a petroleira americana tem participação em nove blocos exploratórios offshore à venda, dos quais seis com potencial de pré-sal na bacia de Campos.

O anúncio da venda de um portfólio diversificado com áreas já em produção como o da Devon aguçou não só o interesse da gigantesca estatal China National Offshore Oil Corporation (CNOOC), como da OGX de Eike Batista, afirmam ao Valor consultores familiarizados com o negócio. A OGX, que está em perãodo de silêncio, não comenta o assunto. O Valor apurou que a OGX estaria interessada em blocos offshore com potencial de pré-sal. Nessa venda de ativos a Petrobras já exerceu seu direito de preferência e comprou os 50% da Devon no campo Cascade, no Golfo do México.

No Brasil, alguns blocos da Devon localizados na Bacia de Campos podem ter potencial na camada do pré-sal de acordo com mapa das áreas fornecido pela Agência Nacional do Petróleo (ANP) na época dos leilões. A empresa tem quatro áreas em fase exploratória na bacia de Campos, sendo dois blocos em sociedade com a Petrobras (BM-C-34 e BM-C-35). Em outros dois (BM-C-30 e BM-C-32) ela tem como sócias a Anadarko, a IBV (associação entre as indianas Bharat PetroResources e Videocon Industries) e a coreana SK Energy. O BM-C-30 é um bloco promissor, onde a Anadarko já comunicou a descoberta de um reservatório no pré-sal que recebeu o nome provisório de Wahoo. A participação da Devon nesse bloco é de 25%.

A Devon já produz 16 mil barris de petróleo por dia no campo de Polvo, na bacia de Campos, e essa produção vai aumentar à medida que forem conectados novos poços que estão em fase de perfuração, informa a companhia. Ela também é sócia da Petrobras em Xerelete, na mesma bacia. Esse campo está em fase de desenvolvimento da produção.

Assim como os indianos, a China tem mostrado apetite voraz por reservas de petróleo para suprir o imenso consumo de energia do país, principalmente depois de ter rejeitada sua oferta pela americana Unocal.

A CNOOC tem interesse em todas as áreas colocadas à venda pela Devon, incluindo as do Brasil, mas não só eles. O Valor apurou que os chineses fizeram proposta por todo o portfólio da americana, que também inclui ativos na África e Ásia. Outra que estaria vendendo uma participação no campo Peregrino é a norueguesa Statoil, que comprou essa mesma participação da Anadarko. Procurada, a Statoil não comenta a informação.

O interesse das petrolíferas estrangeiras não se restringe apenas à área de exploração e produção de petróleo e gás. Que o digam a BP e Shell que entraram pesadamente na produção e comercialização de etanol. A britânica foi a primeira a investir no setor sucroalcoleiro no país por meio de uma joint venture com a Tropical Bioenergia e a segunda abalou o mercado ao anunciar um acordo com a Cosan. O que elas conseguiram outras companhias como a Chevron, Total e a ConocoPhillips tentaram, sem fechar ainda nenhum negócio. Por enquanto.