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Newsletter - 23/07/26

Brasil inaugura adidância tributária e aduaneira em Pequim

O comércio entre Brasil e China manteve trajetória de crescimento no primeiro semestre de 2026, reforçando a relevância do país asiático como principal parceiro comercial brasileiro e ampliando a importância de mecanismos institucionais voltados à facilitação das operações internacionais.

Em junho de 2026, as exportações brasileiras para a China somaram US$ 12,291 bilhões, o que representou crescimento de 24,4% em comparação com o mesmo mês de 2025. No mesmo período, as importações brasileiras originadas da China alcançaram US$ 7,80 bilhões, com alta de 27,1% em relação a junho do ano anterior. Com isso, o Brasil registrou superávit de US$ 4,49 bilhões no comércio com o país asiático no mês.

No primeiro semestre de 2026, as exportações brasileiras para a China cresceram 21,9%, atingindo US$ 58,32 bilhões. As importações, por sua vez, avançaram 8,0% e totalizaram US$ 38,54 bilhões. Com isso, a balança comercial bilateral apresentou superávit brasileiro de US$ 19,77 bilhões no período.

O desempenho reforça a centralidade da China para o comércio exterior brasileiro, especialmente em setores tradicionalmente relevantes da pauta exportadora nacional, como petróleo, agronegócio, mineração, carnes e celulose. Ao mesmo tempo, o crescimento das importações evidencia a importância da China como fornecedora de bens industriais, máquinas, equipamentos, componentes tecnológicos e produtos de maior valor agregado.

Nesse contexto, em junho de 2026, foi inaugurada a Adidância Tributária e Aduaneira do Brasil em Pequim, uma estrutura tributária e aduaneira brasileira em território chinês, vinculada ao Ministério da Fazenda e coordenada por um adido da Receita Federal do Brasil. A iniciativa tem por objetivo fortalecer a presença técnica do Brasil na China e criar um canal institucional mais próximo para tratar de temas relacionados ao comércio bilateral.

A nova estrutura deverá atuar como ponto de interlocução entre autoridades brasileiras e chinesas, especialmente em questões envolvendo procedimentos aduaneiros, reconhecimento de certificações, exigências técnicas, liberação de cargas e demais entraves operacionais que possam afetar exportadores brasileiros no mercado chinês.

A medida também se insere em um cenário no qual barreiras não tarifárias, exigências sanitárias, critérios técnicos e prazos de desembaraço aduaneiro podem impactar diretamente a previsibilidade e a eficiência das operações internacionais. A presença de uma estrutura técnica brasileira na China tende a contribuir para maior fluidez na comunicação entre autoridades e operadores privados, especialmente em setores sensíveis da pauta exportadora.

Além dos aspectos diretamente relacionados ao comércio de bens, a adidância tributária e aduaneira poderá ter papel relevante em discussões envolvendo fiscalização do comércio eletrônico, tributação digital e regulação de novas tecnologias, temas que vêm ganhando importância crescente nas relações econômicas internacionais. O movimento revela uma tendência de maior institucionalização da relação Brasil-China, combinando o crescimento expressivo do fluxo comercial com a criação de mecanismos de apoio técnico e regulatório. Para empresas que atuam no comércio bilateral, a aproximação entre autoridades e a maior previsibilidade nos procedimentos aduaneiros podem representar fator relevante para a estruturação de operações, gestão de riscos e planejamento de expansão no mercado chinês.