
O Brasil se tornou, pela primeira vez, o maior importador mundial de automóveis fabricados na China no acumulado de janeiro a maio de 2026, segundo dados da alfândega chinesa compilados por veículos e entidades do setor. No período, as compras brasileiras somaram US$ 5,2 bilhões, com forte peso dos veículos eletrificados.
Do total importado, US$ 4,5 bilhões corresponderam a modelos elétricos e híbridos, o que mostra a mudança no perfil da pauta automotiva trazida da China. Segundo o Conselho Empresarial Brasil-China, no primeiro semestre as importações brasileiras de veículos chineses chegaram a US$ 5,35 bilhões.
O avanço colocou o Brasil à frente de mercados que tradicionalmente disputam a liderança desse fluxo, como Rússia e Bélgica. A expansão também reflete a antecipação de compras antes de mudanças tarifárias sobre veículos elétricos, apontadas em análises publicadas no fim de julho.
A nova tarifa é a alíquota única de 35% de imposto de importação que passou a valer para veículos eletrificados importados, encarecendo os modelos trazidos prontos do exterior e mudando a estratégia das montadoras chinesas no Brasil.
Com isso, as empresas tendem a responder de três formas: repassar parte do custo ao preço final, ampliar a montagem local para escapar da tarifa cheia e acelerar a nacionalização da cadeia de fornecedores. A Camex ainda renovou, por seis meses, uma cota de US$ 463 milhões para kits CKD e SKD com alíquota zero, o que dá fôlego temporário a operações como as de BYD e GWM.
No plano logístico, a mudança deve reduzir o peso das cargas de veículos prontos e aumentar a movimentação de componentes, kits e peças para montagem no país. Isso favorece terminais e operadores ligados à indústria automotiva, mas pressiona importadores e distribuidores que dependem de veículos acabados.
Na concorrência, o efeito deve ser de maior diferenciação entre marcas com presença industrial no Brasil e aquelas mais dependentes de importação. A tarifa tende a comprimir margens, acelerar investimentos locais e tornar o preço um fator ainda mais sensível na disputa entre eletrificados chineses e rivais já instalados no mercado brasileiro.
Fonte: Portos e Navios.