unitri

Filtrar Por:

< Voltar

Clippings - 13/05/10

Brasil quer retaliar Argentina e vai à OMC contra a Europa

São PAULO – A candidata à Presidência e ex-ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou na tarde de ontem que caso a Argentina proíba a entrada de produtos alimentícios brasileiros no país, deve haver uma retaliação. Temos de ter pulso, sermos firmes. Não podemos prejudicar os empresários brasileiros e se o único jeito é retaliar o governo argentino, é isso que devemos fazer, ponderou.

Outro ponto favorável aos empresários brasileiros, frente às novas barreiras alfandegárias que o governo argentino está programando e que poderá entrar em vigor no início de junho, é que empresários argentinos de grande porte na participação no PIB argentino temem represálias brasileiras à importação de alimentos e são contra a atitude do governo.

Os empresários defenderam claramente a necessidade de se respeitarem os acordos comerciais internacionais diante da possibilidade de imposição de barreiras do governo à importação de alimentos, o que poderia provocar represálias.

O ministro da Economia da Argentina, Amado Boudou, por sua vez, defendeu a aplicação de barreiras para impedir a entrada de produtos alimentícios importados similares aos elaborados na Argentina. Precisamos cuidar do mercado interno e dos produtores argentinos, disse Boudou à rádio do seu país, La Red.

Sem entrar em detalhes, Boudou sustentou que a medida era positiva. Essa história de sermos bonzinhos, de abrir às portas ao mundo, e, por exemplo, não poder exportar limões aos Estados Unidos, é uma ideia romântica, mas é muito ingênua. Nós precisamos deixar de ser inocente nesses assuntos, argumentou.

Segundo a Coordenadoria das Indústrias de Produtos Alimentícios (Copal), a barreira argentina contra os alimentos importados pode provocar retaliações comerciais de outros países. Toda medida política comercial interna ou externa tem de respeitar os critérios dos tratados internacionais dos quais a Argentina faz parte, já que é uma das garantias necessárias para evitar represálias no comércio mundial, disse a entidade, em nota.

As barreiras comerciais para proteger a indústria alimentícia argentina ante uma eventual avalanche de importações decorrente da desvalorização do euro favoreceriam os exportadores da UE e desviariam à Argentina parte do comércio entre Brasil e o bloco europeu.

Os alimentos importados representam cerca de 3% da oferta nos supermercados argentinos, segundo cálculos de fontes do setor. Desta maneira, o Itamaraty afirmou que se houver um conflito, a Argentina tem mais a perder do que a ganhar com um eventual conflito comercial com o Brasil.

Para o presidente da Associação Brasileira de Comércio Exterior (Abracex), Roberto Segatto, o Brasil deve iniciar imediatamente a retaliação à Argentina, mesmo sem um comunicado oficial do governo vizinho. Não podemos esperar mais para agir, já temos filas de caminhões brasileiros parados na fronteira, cheios de alimentos. É necessário que o governo brasileiro comece a contra-retaliar, temos que nos proteger, pontuou.

Segundo o diretor do Departamento de Relações Internacionais e Comércio Exterior da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), Ricardo Martins, quatro caminhões de cinco empresas estão barrados na Aduana de Uruguaiana, no Brasil, sem poder entrar na Argentina.

Segatto afirmou ainda que as perdas para o Brasil nas exportações do setor de alimentos chegariam a 30% do total vendido o país, em contrapartida, caso o Brasil inicie o processo inverso as perdas para os argentinos será de mais de 50%, principalmente se bloquearmos trigo, vinho, oliva, anchovas, atum e frutas.

O governo argentino está sendo muito irresponsável, não podem perder o comércio com o Brasil, se eles retaliarem realmente irão sofrer consequências pesadas. Podemos comprar de outros países, como o Chile. Além disso, o Brasil não deve parar de retaliar assim que as negociações sejam acertadas, devemos deixar eles sofrendo mais do que o necessário para eles aprenderem a lição de uma só vez, assim param com a palhaçada, pois uma hora são barreiras comerciais, outra, são licenças não automáticas.

As restrições não têm sentido, queixou-se Martins afirmando que não existe nenhuma justificativa racional para essa nova investida: o comércio bilateral anda bem, superados os problemas das licenças não automáticas do ano passado; além disso, a Argentina tem superávit comercial no setor de bebidas e alimentos. Provavelmente, as novas restrições são mais uma daquelas manobras típicas da Argentina de bater primeiro para depois conversar, julgou Martins.

O Brasil decidiu tomar posição mais firme em questões comerciais relacionadas principalmente à Argentina e à União Europeia. Ontem, o ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Miguel Jorge, admitiu que o Brasil poderá retaliar a Argentina por causa da ameaça do país vizinho de impedir a importação, de qualquer país, de produtos alimentícios similares aos produzidos no país vizinho.

Ao lhe ser perguntado se o Brasil poderia retaliar a Argentina, Miguel Jorge respondeu: Claro.

A candidata à Presidência e ex-ministra da Casa Civil Dilma Rousseff também defende uma atitude dura do governo brasileiro contra a barreira argentina. Temos de ter pulso, de ser firmes. Não podemos prejudicar os empresários brasileiros, e se o único jeito é retaliar o governo argentino, é isso que devemos fazer. Entre os empresários argentinos já existe o receio de uma possível represália por parte do governo brasileiro. Os alimentos importados representam cerca de 3% da oferta nos supermercados argentinos, segundo cálculos de fontes do setor. Desta maneira, o Itamaraty afirmou que, se houver um conflito, a Argentina tem mais a perder do que a ganhar com um eventual conflito comercial com o Brasil.

Em outra frente, Brasil e Índia vão apresentar uma queixa à Organização Mundial do Comércio (OMC) contra a Europa e o governo da Holanda originada pela liberação da comercialização de medicamentos genéricos. A polêmica começou quando, em dezembro, um carregamento de 500 quilos do remédio genérico Losartan, cuja patente a empresa Merck Sharp & Dohme detém, foi apreendido em Roterdí, na Holanda.

O medicamento havia saído da Índia, onde foi fabricado, e estava sendo direcionado ao Brasil. Não se tratou de um incidente isolado. No total, mais de uma dezena de casos de apreensão foram registrados na Europa em incidentes similares no comércio de remédios genéricos entre países emergentes em 2008.

Enquanto isso, dez países formam um bloco de oposição ao acordo de livre-comércio entre União Europeia e Mercosul. França, o principal país beneficiário da Política Agrícola Comum, é apoiada por Irlanda, Grécia, Hungria, Áustria, Luxemburgo, Polônia, Finlândia, Romênia e Chipre.

Para tentar resolver outra questão delicada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva desembarca em Moscou hoje, tendo o programa nuclear iraniano como um dos principais temas de seu encontro com o presidente russo, Dmitri Medvedev. A viagem de Lula inclui visita ao Irí.