O navio de pesquisa hidroceanográfico (NPqHo) “Vital de Oliveira”, recém-incorporado à Marinha do Brasil, recebe nesta quarta-feira (23) a visita do ministro da Defesa, Jaques Wagner, e do ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aldo Rebelo. O navio, adquirido por meio de um acordo de cooperação firmado entre o Ministério da Defesa, o Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, a Petrobras e a Vale, passou a integrar a frota da Armada em março, em cerimônia ocorrida em Singapura, e chegou ao Brasil no último dia 15.
Lançado ao mar em setembro do ano passado, o NPqHo “Vital de Oliveira” será empregado no monitoramento e caracterização física, química, biológica, geológica e ambiental de áreas oceânicas estratégicas para a exploração de recursos naturais, com ênfase nos recursos minerais, óleo e gás, ampliando a presença brasileira no Atlântico Sul e Equatorial. Para tanto, o navio é dotado de 28 equipamentos científicos que proporcionam a capacidade de um melhor conhecimento das riquezas da “Amazônia Azul”.
A gestão do “Vital de Oliveira” será coordenada por um comitê com representantes dos Ministérios da Defesa, por meio da Marinha do Brasil, Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação, Petrobras e Vale, e tem por finalidade coordenar as atividades e maximizar a eficiência do seu emprego em prol do desenvolvimento de pesquisas científicas no meio ambiente marinho, bem como organizar os projetos a serem conduzidos a bordo do navio.
O investimento realizado para a aquisição do navio foi de R$ 162 milhões, dos quais R$ 70 milhões da Petrobras, R$ 38 milhões da Vale, R$ 27 milhões do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovação e R$ 27 milhões da Marinha.
Os ministros também visitarão o navio-escola “Brasil”, onde participarão da cerimônia de despedida do navio que realizará a 29ª Viagem de Instrução de Guardas-Marinha. O objetivo da viagem é reforçar a instrução prática aos Guardas-Marinha nas áreas de navegação, armamento, comunicações, eletrônica, máquinas, operações, administração naval, embarque e carregamento.
Características do “Vital de Oliveira:
– Comprimento – 78 metros;
– Boca – 20 metros;
– Deslocamento Máximo – 4.200 toneladas;
– Calado Máximo – 6,3 metros;
– Autonomia – 30 dias;
– Raio de Ação – 7.200 Milhas Náuticas;
– Velocidade de Cruzeiro – 10 nós;
– Velocidade Máxima – 12 nós;
– Tripulação – 90 militares; e
– Passageiros – 40 cientistas.
Equipamentos Científicos:
– Ecobatímetros Multifeixe (águas rasas e profundas);
– Ecobatímetro Monofeixe;
– Perfilador de Subfundo;
– Sonares de Varredura Lateral;
– Perfiladores de Corrente (ADCP);
– CTD/Rossette, U-CTD, XBT, Perfilador contínuo de propagação da Velocidade do Som na água;
– Veículo Operado Remotamente (ROV) até 4.000m;
– Amostradores e testemunhador geológico;
– Estação Meteorológica Automática;
– Medidores de Ondas e Correntes;
– Gravímetro e Magnetômetro;
– PCO2, Plâncton e Salinômetro; e
– Lanchas Hidrográficas com ecobatímetro multifeixe.
O “Vital de Oliveira” é o terceiro navio a ostentar esse nome na Marinha do Brasil, em homenagem ao capitão-de-Fragata (post-mortem) Manuel Antônio Vital de Oliveira, morto na Guerra do Paraguai, em 2 de fevereiro de 1867, no bombardeio a Curupaiti, a bordo do Monitor Encouraçado “Silvado”, do qual era comandante.
Manoel Antonio Vital de Oliveira nasceu em Recife, no dia 28 de Setembro de 1829. Na paz, foi o homem de estudos, um marinheiro a serviço da ciência; na guerra foi o homem de ação pronta. Seus trabalhos hidrográficos correram o mundo. A França o condecorou com a Legião de Honra; Portugal, com a Ordem de Cristo, e a Itália, com a Ordem de São Maurício e São Lázaro.
Do Brasil, além das suas promoções por merecimento, recebeu as insígnias de Oficial da Imperial Ordem da Rosa, de Cavalheiro de Cristo e de São Bento de Aviz; os títulos de sócio efetivo do Instituto Histórico e Geográfico do Brasil, do Instituto Politécnico Brasileiro, da Sociedade Auxiliadora da Indústria Nacional; foi considerado sócio auxiliador do Instituto Episcopal; sócio honorário da Associação Comercial Beneficente de Pernambuco e sócio correspondente do Instituto Arqueológico e Geográfico de Pernambuco.