O Brasil é realmente surpreendente. O Fundo de Marinha Mercante passou todo o ano sem se reunir e, no apagar das luzes de 2009, aprova 161 projetos, no fantástico valor de R$ 14,2 bilhões.
Na verdade, tudo foi bem racional: faltava dinheiro e não valia a pena se reunir para nada aprovar. O histórico fundo, criado por Juscelino Kubitschek, precisava de verba e, para isso, o presidente da República teria de agir. Nos últimos anos – inclusive na gestão de Joaquim Levy na Secretaria do Tesouro Nacional – o que ocorria era o oposto: em vez de obter aportes de recursos, o dinheiro do FMM era retirado ( contingenciado é o termo dos buracratas) para suprir deficiência do caixa geral. Lula tem muitos defeitos como presidente, mas, sem dúvida, beneficiou construção naval e marinha mercante, em seus sete anos de gestão.
Com esse dinheiro, virão novos estaleiros, mais navios e as previsões otimistas do presidente do Sindicato da Construção Naval (Sinaval), Ariovaldo Rocha, a cada dia se confirmam. O setor está com 46 mil empregos diretos e pretende se aproximar de 100 mil até 2015.
A Transpetro ficou com R$ 5,2 bilhões, referente a dez navios. Os barcos de apoio serão 19 e os novos estaleiros serão dois na Bahia – Estaleiros da Bahia e Paraguaçu, o Eisa de Alagoas – de German Eframovich, do grupo Sinergy; e está nascendo o Promar Ceará, que, segundo se informa, apresentou os menores preços para construção de navios de gás da Transpetro e, assim, poderá nascer já com forte encomenda.
O presidente do Sindicato Nacional das Empresas de Navegação Marítima (Syndarma), Hugo Figueiredo, destacou que essa foi a maior reunião em termos de significado e valores da história do FMM. Ele enfatizou que os navios que apresentarem maior percentual de conteúdo nacional terão condições financeiras mais atrativas do que aqueles que tenham mais itens importados. “É uma forma de induzir ao aumento do conteúdo nacional”, avaliou.
E o presidente do Sindicato dos Oficiais de Marinha (Sindar), Severino Almeida, foi enfático: As perspectivas são excelentes. O próximo passo tem de ser a volta dos navios brasileiros aos portos estrangeiros.