Companhia portuguesa é foco da sétima reportagem da série sobre a atuação das petroleiras no país
A sétima reportagem da série sobre a atuação das petroleiras no Brasil tem como foco a portuguesa Galp.
O Brasil está no centro dos investimentos de E&P da Galp. A petroleira portuguesa tem participação em grandes projetos de exploração no pré-sal, com destaque para Bacalhau e Uirapuru, além de ser concessionária do campo de Lula, na Bacia de Santos – o maior produtor do país.
Diante da crise na indústria desencadeada pela pandemia de covid-19, a Galp reduziu seus investimentos planejados e despesas operacionais pela metade, em cerca de € 500 milhões, ante o previsto em janeiro.
A companhia entrou no Brasil em 1999, por meio de sua subsidiária Petrogal Brasil. Entre 2000 e 2017, investiu US$ 5 bilhões no país. Nos últimos anos, apesar da ampliação da participação de Moçambique em seus aportes planejados, o Brasil continuou representando a maior parte do capex de upstream da Galp.
No último ano, a petroleira investiu € 856 milhões, dos quais 70% foram direcionados a atividades de E&P – com o desenvolvimento da produção em Sururu, no pré-sal brasileiro, e na Área 4 de Moçambique, além de trabalhos em Bacalhau e a aquisição da participação final de 3% na licença BM-S-8, em Santos.
Em abril, o diretor executivo da companhia, Filipe Silva, declarou, em conferência com investidores, que a Galp pretende concentrar sua redução de investimentos fora do Brasil para manter uma posição forte no país. O país continuará a representar a maior parte da produção da companhia na próxima década, cujo crescimento previsto até 2030 é de 10% ao ano.
A Galp tem é operadora dos campos onshore de Rabo Branco – onde vendeu 50% de participação à Petrom em 2019, em operação ainda não aprovada pela ANP – e Dó-Ré-Mi, ambos na Bacia de Sergipe-Alagoas e em parceria com a Petrobras (50%). Os ativos estão em fase vinculante do processo de desinvestimento da estatal. A Galp é ainda concessionária, com 50%, no campo de Sanhaçu, operado pela Petrobras na Bacia Potiguar.
A maior parte da produção da Galp no país vem do campo de Lula – no qual tem 10% de participação em consórcio com a Petrobras (65%, operadora) e Shell (25%). Entre abril e maio, quando a produção de Lula caiu de 1,32 milhão de boed para 1,13 milhão de boed, a Galp teve impacto de 14,2% em sua produção como consorciada. O mesmo se repetiu em março, com queda de 16% devido a paradas programadas em Lula.

Ativos de E&P no Brasil / Fonte: Galp
A petroleira também possui 10% de participação na área de Iara (concessão BM-S-11A), que compreende os campos de Sururu, Oeste de Atapu e Berbigão, na Bacia de Santos, em parceria com a Petrobras (42,5%, operadora), Shell (25%) e Total (22,5%). Em novembro de 2019, Berbigão começou a produzir pelo FPSO P-68 e já ocupa a sexta posição entre os maiores campos produtores do país. Segundo dados da ANP, 60,9 mil boed foram extraídos no ativo no mês de junho.
Já Oeste de Atapu e Sururu estão em fase de desenvolvimento. Na última semana, a Petrobras solicitou autorização ao Ibama para a implantação de 12 FPSOs no pré-sal, entre eles o de Sururu, com planta prevista para extração de 100 mil b/d, conectada a 19 poços (12 produtores e 7 injetores). A estatal planeja o início das atividades para janeiro de 2027
Outro projeto em desenvolvimento no qual a Galp está envolvida, com 20% de participação, é o de Sépia Leste, operado pela Petrobras (80%). A jazida compartilhada de Sépia foi objeto de acordo recente de individualização da produção.
Em etapa de exploração, é concessionária de cinco ativos nas bacias de Barreirinhas (4) e Potiguar (1), adquiridos na 11ª Rodada de Licitações da ANP. No Rio Grande do Norte, o primeiro período exploratório do bloco POT-M-764 está previsto para terminar no próximo mês, com vencimento do segundo período em agosto de 2022.
Por meio da Petrogal Brasil, é concessionária de 11 blocos nas bacias de Campos (C-M-791), Pernambuco-Paraíba (PEPB-M-783 e PEPB-M-839), Potiguar (POT-M-663, POT-M-665, POT-M-760, POT-M-853 e POT-M-855) e Santos.
Na última, tem participação no bloco de Uirapuru (14%), em parceria com a Petrobras (operadora, 30%), ExxonMobil (28%) e Equinor (28%). Em abril, o consórcio encontrou indícios de hidrocarbonetos no bloco, após cinco meses do início das perfurações do navio-sonda West Tellus, da Seadrill.
A estatal brasileira planeja implantar um FPSO na área (Uirapuru 1), com capacidade de produção de 180 mil b/d. Ele deve ser conectado a 16 poços, sendo dez produtores, três injetores de água e três conversíveis.
Ainda em Santos, a Galp tem 20% de participação na área de Júpiter (BM-S-24), cujo de Plano de Avaliação da Descoberta (PAD) foi prorrogado cautelarmente pela ANP em abril. O bloco foi arrematado na 13ª Rodada pela portuguesa em parceria com a Petrobras (operadora, 80%).
A companhia tem ainda 20% de participação em Carcará (BM-S-8) – uma das maiores descobertas no Brasil na última década, que originou o campo de Bacalhau. A concessão é operada pela Equinor (40%), em sociedade com a ExxonMobil (40%). A norueguesa planeja produzir o primeiro óleo de Bacalhau no terceiro trimestre de 2024, com produção estimada, na primeira fase do projeto, de aproximadamente 220 mil bopd por 11 poços.
Em junho, a companhia produziu 140,3 mil boed como concessionária e 179 boed como operadora, segundo dados da ANP.
Inovação e Renováveis
A Galp é proprietária, pela subsidiária Galp Bioenergy, da Belem Bioenergia Brasil (BBB), responsável pela produção de óleo vegetal no estado do Pará. Em novembro de 2019, a companhia adquiriu os 50% restantes da Petrobras Biocombustíveis no ativo por cerca de R$ 24,7 milhões.
Segundo o CEO da Galp no Brasil, Miguel Pereira, em webinar realizado em junho, a companhia estuda o potencial de geração solar no país, junto a uma universidade brasileira instalada no Rio de Janeiro.
Em parceria com a IBM Brasil, a petroleira anunciou, em 2018, o desenvolvimento de um assistente virtual suportado por soluções de Inteligência Artificial (IA), com o objetivo de melhorar a interpretação sísmica na área da exploração. Segundo a companhia, a aplicação processa e examina grandes conjuntos de dados sísmicos para identificar estruturas geológicas com maior probabilidade de armazenar petróleo e gás.
Fonte: Revista Brasil Energia