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Clippings - 10/09/13

Brasil teme que espionagem na Petrobras afete lance em leilão do pré-sal

RIO DE JANEIRO/BRASÍLIA – A denúncia de espionagem na Petrobras pelo governo dos Estados Unidos gerou preocupações de que os norte-americanos tenham tido acesso à estratégia da estatal brasileira no leilão do pré-sal, o que poderia afetar os lances realizados por outras companhias na licitação da reserva de Libra, disse uma fonte do governo brasileiro nesta segunda-feira.

Na avaliação da fonte, que falou à Reuters sob condição de anonimato, empresas norte-americanas poderiam usar informações confidenciais da Petrobras para preparar suas ofertas no leilão. E isso reduziria a concorrência e os lances ofertados ao governo brasileiro pela exploração da área de Libra.

Segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a denúncia de espionagem não afeta o cronograma nem as regras do certame, uma vez que as informações sobre Libra, a maior área exploratória de petróleo do país, já estão disponíveis para as empresas interessadas no leilão.

O ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, confirmou que o cronograma do primeiro leilão do pré-sal sob o sistema de partilha, previsto para dia 21 de outubro, está mantido e que as regras da licitação não serão alteradas.

De acordo com reportagem veiculada no domingo pelo programa Fantástico da Rede Globo, o governo norte-americano espionou as redes de computadores de empresas como Petrobras e Google, conforme documentos vazados da Agência de Segurança Nacional dos EUA (NSA, na sigla em inglês).

Em nota divulgada no domingo, o diretor do Departamento dos Serviços de Inteligência dos EUA, James R. Clapper, afirmou que não é segredo para ninguém que o país coleta informações sobre questões econômicas e financeiras, especialmente para proteger cidadãos norte-americanos e os interesses dos aliados da nação. Mas ele ressaltou que o governo não compartilha segredos comerciais com companhias.

A reportagem não informou quando a suposta espionagem aconteceu, quais dados podem ter sido obtidos ou o que a agência estava buscando.

O ex-diretor da Petrobras Paulo Roberto Costa concorda que, se realmente ocorreu espionagem envolvendo Libra, há risco de que lances do leilão sejam influenciados por tais informações.

A história do petróleo sempre mostra que desde sempre ele é muito disputado pelos países, disse Costa, que atualmente é consultor. Libra é uma área que não se tem igual no mundo, nesse tipo de leilão, aberto a outras empresas, é algo muito valioso, acrescentou, ponderando que é preciso antes de tudo confirmar se realmente houve espionagem.

Segundo ele, a diretoria da Petrobras nunca desconfiou de espionagem, porque sempre confiou em uma série de sistemas de proteções de que dispõe.

DILMA FURIOSA

A presidente Dilma Rousseff afirmou em nota divulgada nesta segunda-feira que, se confirmadas, as denúncias de espionagem na Petrobras mostrariam que os interesses da agência norte-americana são econômicos e estratégicos, e não o de garantir a segurança norte-americana.

Se confirmados os fatos veiculados pela imprensa, fica evidenciado que o motivo das tentativas de violação e de espionagem não é a segurança ou o combate ao terrorismo, mas interesses econômicos e estratégicos, informou nota assinada pela presidente.

Na semana passada, a Rede Globo já havia veiculado denúncias de que a agência do governo norte-americano espionou comunicações privadas de Dilma.

Sem dúvida, a Petrobras não representa ameaça à segurança de qualquer país. Representa, sim, um dos maiores ativos de petróleo do mundo e um patrimônio do povo brasileiro, disse a presidente na nota.

REGRAS

Pelas regras da partilha, vencerá o leilão o consórcio que apresentar a maior parcela de óleo destinada à União. Mesmo que não participe do consórcio vencedor, a Petrobras será, por lei, operadora de Libra e terá participação mínima de 30 por cento na área.

Como a Petrobras será a operadora de qualquer maneira e a partilha garante ao governo poder decisão, as bases do leilão não têm como ser afetadas, afirmou uma segunda fonte, também pedindo para não ser identificada.

É diferente de uma reserva em que não se sabe o que há. Nessa, a reserva já é estimada e, além disso, a operação será pelo sistema de partilha, com mais poderes exercidos pelo governo, disse.

Libra será leiloada em um único bloco, porque o governo brasileiro teme que uma divisão em lotes poderia criar impasses jurídicos, com a possibilidade de um campo vazar óleo para o outro e a necessidade de acordos de unitização entre empresas, um imbróglio que ocorre quando há interligação entre reservatórios.

O programa Fantástico obteve as informações sobre a espionagem dos EUA na Petrobras por intermédio do jornalista e advogado norte-americano Glenn Greenwald, que escreve para o jornal britânico The Guardian. Greenwald, que mora no Rio de Janeiro, vem trabalhando junto com o ex-analista da NSA Edward Snowden para expor os programas de espionagem dos EUA.

A denúncia sobre a Petrobras pode complicar ainda mais um impasse diplomático entre os EUA e o Brasil provocado pela suposta espionagem da NSA às chamadas telefônicas e emails da presidente Dilma Rousseff.

ROAD SHOW

A ANP informou que concluiu no fim de semana um roadshow internacional para divulgar a primeira rodada do pré-sal. A equipe da ANP apresentou em Cingapura, Londres, Houston, Tóquio e Pequim informações sobre a área de Libra.

A diretora-geral da ANP, Magda Chambriard, disse a potenciais investidores que Libra é uma oportunidade única no mundo, tanto pelo volume estimado –de 8 bilhões a 12 bilhões de barris de óleo– quanto pela quantidade de informações disponíveis, pois já existe importante descoberta na área, com óleo produzido e analisado, disse a assessoria de imprensa da agência reguladora.