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Clippings - 03/09/09

Braskem começou a estudar união com Quattor a convite da Petrobras

A Braskem iniciou as negociações com a Quattor para identificar oportunidades de aliança estratégica a convite da Petrobras, que é sócia das duas empresas, mas esse diálogo não deve contaminar o objetivo principal de adquirir ativos nos Estados Unidos, disse ontem o presidente da empresa, Bernardo Gradin. Segundo ele, as conversas com os acionistas da concorrente, anunciadas em agosto, estão em fase muito incipiente, enquanto a janela de oportunidade para aquisições na América do Norte em função da crise econômica mundial deve fechar-se no fim do ano que vem.

Nosso alvo é integrar as Américas, reforçou o executivo. Em fevereiro a empresa perdeu para a International Petroleum Investmento Company (Ipic), dos Emirados Árabes, a disputa pela fabricante de resinas NovaChemicals, com sede no Canadá e unidades nos EUA, mas agora, segundo Gradin, tem em vista outras empresas na região. Os nomes não são revelados. Temos (cláusula) de confidencialidade com todas, afirmou, depois de reunião com empresários do Sindicato das Indústrias de Material Plástico do Rio Grande do Sul (Sinplast).

De acordo com ele, o crescimento para os Estados Unidos também não deverá comprometer a higidez financeira da Braskem devido ao cenário de cautela projetado para 2010 e 2011, quando a empresa prevê novo ciclo de baixa na petroquímica mundial em função do aumento da oferta na Ásia e da redução do consumo nos EUA. A determinação é não aumentar a dívida de curto prazo nem a capacidade de geração de caixa da companhia, garantiu.

As alternativas de financiamento da operação em estudo dependem do tamanho da unidade que será adquirida e incluem o uso de caixa próprio, a tomada de crédito ou a estruturação de capital nos EUA. Também contamos com o BNDES, não só com empréstimo, mas também com participação societária, explicou Gradin. Outra opção é pedir que os próprios acionistas façam um aumento de capital na Braskem ou autorizem a empresa a contrair um nível maior de endividamento, disse.

O executivo informou ainda que a companhia já comunicou formalmente à Petrobras a intenção de investir no Comperj, o polo que a estatal planeja implantar no Rio de Janeiro. Temos interesse total em participar, afirmou. Segundo ele, a Petrobras está analisando qual a melhor forma de convidar a Braskem a participar do projeto, mas o prazo para resposta é imprevisível. Acho que a concentração principal deles (da estatal) é com a construção da primeira fase e ainda não definiu estrategicamente qual deve ser a participação do setor privado.

A intenção da empresa é entrar no projeto para produzir polietilenos ou aromáticos, mas entende que, se não for bem planejado, o Comperj vai provocar uma ameaça de sobrecapacidade de produção para todo o setor, disse Gradin. Ele defendeu a construção do polo em etapas, voltado inicialmente à exportação para garantir a competitividade do empreendimento. A partir de uma equação de exportação, os investimentos naturais das empresas não vão parar e o investimento futuro será feito em função do crescimento do mercado, de uma forma mais organizada.

Gradin também disse que a Braskem pretende discutir com o governo federal formas de acesso a matérias-primas e energia mais competitivas derivadas da exploração do pré-sal. Segundo ele, o diálogo sobre um pacto em favor da indústria petroquímica nacional, que inclui incentivos à exportação e financiamentos ao longo da cadeia produtiva, está em fase inicial com a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, e os ministérios do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Internacional (MDIC) e das Relações Exteriores. O inimigo está lá fora e a competição que virá por aí será muito feroz.(Fonte: Valor Econômico/Sérgio Bueno, de Porto Alegre)