A Braskem propôs à Petrobras utilizar uma fórmula variável de 90% a 110% da referência internacional no contrato de longo prazo para fornecimento de nafta, modelo que não teria agradado à petroleira. “A Petrobras não aceita nada abaixo da referência internacional”, afirmou o presidente da Braskem, Carlos Fadigas, durante divulgação do resultado trimestral da petroquímica, na quinta-feira (5/11).
Do lado da Braskem, a exigência é não estipular um valor fixo que esteja acima da referência internacional. “A indústria não pode pagar a conta do desequilíbrio de combustível. O custo de importação não cabe à petroquímica brasileira”, defendeu Fadigas. A fórmula variável não agradou à Petrobras, que prefere fechar um percentual fixo a ser aplicado à cotação ARA da nafta, referência para o fornecimento doméstico (média móvel dos últimos três meses).
Em comunicado divulgado ao mercado nesta sexta-feira (6/11), a estatal informou que está “buscando uma solução equilibrada e comutativa para ambas as companhias”. Assim como a petroleira, o presidente da Braskem afirmou que as negociações continuam em andamento.
No final de outubro, a diretoria da Petrobras aprovou a extensão dos contratos de fornecimento de nafta com a Braskem por 45 dias, contados a partir do dia 1º de novembro deste ano. O objetivo era garantir o suprimento da matéria-prima para a petroquímica, enquanto as empresas negociam os termos do contrato de longo prazo.
Atualmente, a Braskem compra cerca de 70% da nafta utilizada em suas fábricas da Petrobras e importa os outros 30% de produtores internacionais. O preço de referência internacional da nafta foi de US$ 502/tonelada no segundo trimestre desse ano, valor 5% inferior registrado no trimestre anterior (US$ 527/t) e 45% mais baixo na comparação anual.