
O desempenho financeiro da Petrobras no 1º trimestre de 2021, divulgado na quinta-feira (13/5), demonstra que a gestão de Roberto Castello Branco manteve a disciplina de perseguir a redução da dívida, priorizar o pré-sal e acelerar a venda de ativos, em linha com o plano estratégico traçado pela companhia para os próximos anos. Com receita líquida de R$ 86,2 bilhões no 1T21, puxada pela cotação do Brent no mercado internacional, a Petrobras deu um salto de 14,9% em relação ao 4T20. Também contribuiu para o resultado a maior receita advinda do diesel, que atingiu R$ 25,2 bilhões (27% superior ao 4T20) – vale destacar que apesar de positivo para o caixa da companhia, a alta dos preços dos combustíveis foi o pivô que motivou a queda de Castello Branco.
A redução da dívida da bruta da Petrobras sofreu uma queda de US$ 18,3 bilhões na comparação com o mesmo trimestre do ano anterior e de US$ 4,6 bilhões na comparação trimestral, alcançando US$ 71 bilhões. A dívida líquida / EBITDA ajustado, por sua vez, alcançou o patamar de 2,03x em 31 de março de 2021, a melhor marca da Petrobras desde 2012, o que sinaliza que a alavancagem da companhia está alcançando, finalmente, um ponto de equilíbrio. A exposição cambial da empresa também foi reduzida em US$ 8,4 bilhões quando comparada ao 4T20, embora tenha sido registrado aumento das despesas com variações cambiais e monetárias em R$ 18,7 bilhões, devido, principalmente, à desvalorização de 9,6% do real em relação ao dólar
Prova de que o óleo do pré-sal está valorizado no mercado internacional devido às suas características, que tem grande aceitação nas refinarias asiáticas em função das especificações da IMO 2020, a China respondeu por 56% do volume de petróleo exportado pela Petrobras, demonstrando que o gigante asiático está retomando sua atividade econômica com vigor. O volume de 56% representou um aumento de 14% e 8% em relação ao 4T20 e ao 1T20, respectivamente. O incremento das exportações para a China, no entanto, não compensou a queda no volume exportado para Índia (-4%), Portugal (-4%), Chile (-6%), EUA (-11%), e Holanda (-1%), quando se compara os resultados do 4T20. Fora a China, a exceção ficou por conta da Espanha (+1%), que comprou mais da estatal.
Na exportação de derivados, por sua vez, Cingapura foi o principal destino de exportação, com 75%, o que demonstra, novamente, como a IMO 2020 trouxe oportunidades e geração de valor para a companhia brasileira. Apesar disso, o resultado ficou 5% abaixo do trimestre anterior, mas 22% superior quando pareado com o mesmo período de 2020.
No segmento de E&P, o lucro disparou: o valor de R$ 35,3 bilhões representou um aumento de 33% em relação ao 4T20 e 65% em relação ao 1T20. O resultado explica-se, principalmente, pela valorização da cotação do Brent no mercado internacional. O lucro operacional, entretanto, foi 36% inferior ao 4T20, devido principalmente à reversão das perdas por impairment, ocorrida no mesmo período.
O lifting cost do pré-sal se manteve em patamares abaixo de US$ 3/boe, o que ilustra a alta produtividade e eficiência operacional da Petrobras nessa província petrolífera.
Já no segmento de Gás e Energia, a companhia contabilizou perda de 10% em relação às receitas obtidas no trimestre anterior, que, segundo a companhia, explica-se pelo “maior custo de aquisição do gás, principalmente em função do aumento no custo do GNL regaseificado, diante do aumento do consumo pelo inverno intenso alinhado às restrições de oferta”.
Venda de ativos
Em 2021, até o dia 11 de maio, a Petrobras informou que concluiu a venda do campo de Frade, das plantas de geração eólica Mangue Seco 1, Mangue Seco 3 e Mangue Seco 4, da Petrobras Uruguay Distribución (PUDSA), da participação remanescente de 10% na NTS e da BSBios. Com a conclusão das vendas, e o adiantamento recebido pelas assinaturas dos polos Peroá e Miranga, US$ 472 milhões entrou no caixa da companhia nesse período.
Fonte: Revista Brasil Energia
