Pedro Brito, diretor geral da Antaq (Agência Nacional de Transportes Aquaviários), defendeu a utilização dos portos de Vila do Conde, no Pará, e Itaqui, no Maranhão, para o escoamento da produção brasileira de grãos.
“Temos que investir mais na intermodalidade, sobretudo em hidrovias e ferrovias, e os portos do Norte são, sem dúvida, uma boa opção para a exportação brasileira de grãos, dada à proximidade dos principais centros consumidores internacionais e a ligação com os modais ferroviário e aquaviário”, explicou.
O diretor lembrou que o investimento em logística fez de países como Holanda e Bélgica referências mundiais no transporte de cargas, que hoje constituem o principal fator de desenvolvimento econômico dos dois países. Também destacou a importância de um ambiente regulatório claro e seguro para atrair os investimentos privados: “O Porto de Roterdí já está planejando um novo porto para 2030. Eles podem planejar os investimentos para daqui a 20 anos, porque dispõem de um ambiente regulatório claro e duradouro, e nós vamos seguir o mesmo caminho com o novo marco regulatório dos portos, proposto na Medida Provisória 595”, observou.
De acordo com Brito, a eficiência logística também requer menos burocracia. “A liberação de mercadorias nos portos brasileiros leva em média 5,7 dias, enquanto que nos portos europeus não ultrapassa um dia, e nos asiáticos, dois dias. Temos que reduzir esse prazo pelo menos à metade, se quisermos ser competitivos”, apontou.
O diretor afirmou ainda que é indispensável investir em armazéns, para evitar perdas na produção de grãos do país. “Construir armazéns também é investir em logística”, ressaltou, garantindo que nos Estados Unidos existem armazéns suficientes para estocar até dois anos de produção agrícola.