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Clippings - 18/11/20

Búzios garantirá salto expressivo de produção da partilha

José Eduardo Vinhaes Gerk, diretor-presidente da Pré-sal Petróleo (PPSA) / Fonte: PPSA

A PPSA projeta que o volume de produção dos contratos de partilha salte dos atuais 45 mil barris/dia de óleo para 519 mil barris/dia de óleo ao final de 2021. O crescimento exponencial será assegurado, segundo a empresa, pela futura inclusão da parcela de Búzios.

A projeção foi apresentada, na terça-feira (17/11), pela Pré-sal Petróleo (PPSA). A empresa estatal antecipou ao PetróleoHoje que o acordo de coparticipação de Búzios será assinado nos próximos meses e que, com isso, o contrato de partilha do campo será iniciado ainda no primeiro semestre de 2021, antecipando o prazo limite de setembro do próximo ano.

Os indicadores integram o estudo de resultados nos contratos de partilha de produção, elaborado anualmente pela PPSA e voltado desta vez ao período de 2021-2030. Atualmente, apesar de haver 17 contratos de partilha em vigor no Brasil, apenas Mero, Entorno de Sapinhoá e Sudoeste de Tartaruga Verde contribuem com volumes de produção de partilha.

Os 17 contratos de partilha de produção deverão garantir um volume de óleo de 3,59 milhões de barris/dia em 2030 e a instalação de 24 FPSOs ao longo do período. Os dados foram divulgados por Eduardo Gerk, diretor-presidente da PPSA, durante o 3º Fórum Técnico, realizado pela empresa estatal.

A projeção é de que em 2028 todos os ativos já estarão em operação, tendo um total de 22 unidades de produção instaladas na ocasião.

A produção estimada pela PPSA para 2030 representa 2/3 do volume total projetado pela EPE de 5,26 milhões de barris/dia de óleo para serem extraídos no final da década em todos os contratos vigentes no país (concessão e partilha).

Das 17 áreas de partilha leiloadas até o momento, 11 são operadas pela Petrobras (Libra, Entorno de Sapinhoá, Peroba, Alto de Cabo Frio Central, Uirapuru, Dois Irmãos, Três Marias, Sudoeste de Tartaruga Verde, Búzios, Itapu e Aram), três pela Shell (Sul de Gato do Mato, Alto de Cabo Frio Oeste e Saturno), uma pela ExxonMobil (Titã) e outra pela BP Energy (Pau Brasil).

Revisão para baixo

Apesar dos números serem expressivos, a projeção contempla um volume menor que o estimado no estudo anterior, apresentado pela PPSA em novembro de 2019. Na ocasião, a empresa projetava que a produção de partilha no Brasil fosse alcançar a marca de 3,75 milhões de barris/dia de óleo, com a instalação de um total de 28 FPSOs – quatro a mais.

O mapeamento anterior contemplava um período mais longo, direcionado ao horizonte de 2020-2032, mas não havia previsão de instalação de instalação de FPSOs em 2020, 2031 e 2032. A queda na projeção de parte dos indicadores do estudo, segundo Eduardo Gerk, decorre do aperfeiçoamento das estimativas, em função do melhor conhecimento dos projetos e dos reservatórios e também da postergação de alguns cronogramas, devido à crise da pandemia da Covid-19.

“O aperfeiçoamento do conhecimento vai dando uma previsibilidade mais apurada. É uma atualização”, analisa o executivo.

Embora o estudo projete o desenvolvimento da produção de todos os 17 contratos, Gerk considera o trabalho conservador. Diante do atual cenário, a PPSA optou por reduzir o período do estudo, focando apenas até 2030 e não até 2032, conforme feito anteriormente.

Também foi adotada nova premissa de preço do barril do petróleo, seguindo o cenário de referência de preços utilizado pela EPE (Empresa de Pesquisa Energética) e utilizado apenas o dólar como moeda. No estudo anterior, foi utilizado um cenário flat preço de US$ 60/barril e adotada a taxa de câmbio de R$ 4/dólar.

Segundo as análises revisadas da PPSA, o pico de instalação de novas unidades de produção ocorrerá em 2024 e 2028, com cinco e seis FPSOs, respectivamente. No estudo anterior, o salto era projetado para ocorrer em 2026, com seis equipamentos.

Além das unidades de produção, a empresa estatal prevê a necessidade de perfuração de 387 poços, com demanda maior para os anos de 2027, 2028 e 2029. O desenvolvimento da das 17 áreas demandará, segundo a PPSA, investimentos totais de US$ 122,7 bilhões, no período de 2021 a 2030.

O estudo projeta que os segmentos de UEPs e poços demandarão, cada um, investimentos de US$ 43 bilhões, enquanto a parte de poços deve ficar com US$ 36,7 bilhões. O pico de investimentos é estimado para ocorrer nos anos de 2027 e 2028, com as cifras de US$ 19,2 bilhões e US$ 19,8 bilhões, respectivamente. No mapeamento anterior, o teto de recursos era projetado para ser registrado entre os anos de 2026 e 2027, período no qual estimava-se desembolsos de quase R$ 180 bilhões.

Parcela União

Análises da PPSA estimam que a parcela de óleo da União atinja a marca de 629 mil barris/dia de óleo em 2030. Ao longo da década, projeta-se um volume de produção acumulada de 1 bilhão de barris de óleo.

A parcela média diária de óleo da União hoje nos contratos de Mero, Entorno de Sapinhoá e Sudoeste de Tartaruga Verde é de 4 mil barris/dia, de acordo com dados da PPSA de setembro. Já em 2021, projeta-se que esse volume atinja a marca de 10 mil barris/dia, impulsionado pela contabilização de Búzios.

A receita estimada para a União na próxima década soma US$ 75,2 bilhões, com cerca de 80% somente nos últimos quatro anos. A arrecadação para 2030 é projetada em US$ 19 bilhões.

Em termos de royalties, a projeção da PPSA é de que sejam pagos US$ 72,4 bilhões no acumulado de 2021 a 2030. Também é previsto o recolhimento de US$ 45,7 bilhões em impostos federais. Os indicadores apontam para um potencial acumulado de recursos para os cofres públicos de cerca de US$ 204,4 bilhões, até 2030.

Privatização

Sobre as recentes declarações do ministro da Economia, Paulo Guedes, em relação à privatização da PPSA em 2021, Eduardo Gerk não quis comentar o assunto, informando apenas que não foi encaminhado nenhum comunicado ou posição à empresa e que a estatal trabalha normalmente.

O executivo garante que a empresa está preparada para administrar novos contratos. Gerk torce para que o leilão do excedente da cessão onerosa seja, efetivamente, realizado em 2021 e que as próximas rodadas de partilha ocorram.

“A única coisa que posso garantir com 100% de certeza é que nada foi conversado comigo. O que ouço e o que sei desse assunto é a mesma coisa que você, o que sai na mídia”, sentencia Gerk.

Fonte: Revista Brasil Energia