A BW Energy investirá US$ 250 milhões na primeira fase de desenvolvimento do campo de Maromba, na Bacia de Campos, informou a companhia em sua primeira apresentação ao mercado, nesta quarta-feira (29/5).
O início de implementação do projeto – que terá quatro fases de desenvolvimento – está previsto para o segundo semestre de 2020, e o primeiro óleo, para a segunda metade de 2022.
Conceito de desenvolvimento das fases 1 e 2 de Maromba/ Divulgação
A primeira fase contempla a perfuração de dois a três poços, que serão interligados ao FPSO Berge Helene, da BW Offshore, que está em processo de docagem. A estimativa de produção para a Fase 1 é de 20 mil bopd de óleo pesado, de 16º API.
Já a segunda fase prevê a perfuração de outros seis poços no campo, sendo quatro produtores e dois injetores, e a contratação de mais uma plataforma. Nessa fase, a produção deve ser ampliada para 35 mil bopd.
Na última e terceira fase, o foco será o desenvolvimento dos reservatórios dos períodos Maastrichtiano e Eoceno. De acordo com a companhia, testes feitos por operadores anteriores confirmaram que as chances de sucesso de produção são altas.
A estimativa da BW Energy é que, durante sua terceira fase de desenvolvimento, o campo de Maromba esteja produzindo 40 mil bopd.
Como Maromba é próximo aos campos de Peregrino, Polvo e Papa-terra, onde a BW Offshore possui FPSOS em operação, a companhia pretende replicar soluções.
A ANP precisa ainda aprovar a transferência de participação da BW Offshore em Maromba (100%) para a BW Energy, que deixou de ser subsidiária para se transformar em uma empresa independente, na última semana. A previsão é que a operação seja formalizada pela agência reguladora no terceiro trimestre deste ano.
Histórico
A concessão BC-20A, onde Maromba está localizado, foi adquirida pela Petrobras (operadora) e pela Chevron na Rodada Zero da ANP, em 1998, com participações de 62,5% e 37,5%, respectivamente. Em 2012, a petroleira norte-americana vendeu fatia de 7,5% para a estatal, que passou, assim, a deter 70% do empreendimento.
O campo foi descoberto em 2003 com a perfuração do poço 1-BRSA-216-RJS (1-RJS-609) em profundidade de 161 m. Ao todo foram perfurados nove poços no bloco, sendo oito produtores de óleo e um injetor de gás. A declaração de comercialidade do campo foi feita em 2006.
Originalmente, o plano da Petrobras era que Maromba entrasse em atividade em 2010 por meio de um sistema piloto de produção. que consistiria em dois poços interligados ao FPSO Cidade de Rio das Ostras.
Para o sistema definitivo, foram avaliadas diferentes opções, uma delas contemplando o uso de uma plataforma fixa em conjunto com um FPSO. Após estudos técnicos, porém, a estatal concluiu que a unidade fixa não seria necessária.
No total, seriam lançados 97 km de dutos flexíveis interligando nove poços (oito produtores e um injetor) até a plataforma, cuja capacidade seria de 100 mil bopd.
A ideia era separar o óleo do gás, tratá-lo, estocá-lo nos tanques da unidade e enviá-lo para terra via navios aliviadores. Já o gás produzido seria usado como combustível na geração de energia para a própria plataforma e o excedente, injetado para armazenamento.
Em 2013, a Petrobras decidiu reduzir a capacidade de produção do FPSO para 60 mil bopd e adiar o primeiro óleo do campo de 2015 para 2017.
Três anos mais tarde – diante da inércia do projeto –, a ANP ameaçou licitar novamente o campo de Maromba, junto a outras 26 concessões que inativas, o que acabou não acontecendo porque o ativo foi incluído no programa de desinvestimentos da Petrobras.
Fonte: Revista Brasil Energia